Dilma confirma que não irá à Comissão do Impeachment no Senado

Ela disse que quem irá fazer sua defesa na comissão é Cardozo

A comissão especial do impeachment no Senado foi avisada que a presidente afastada Dilma Rousseff não comparecerá à sessão desta quarta-feira, para a qual está marcado seu interrogatório. Com a ausência, caberá ao advogado, o ex-ministro José Eduardo Cardozo, ler uma manifestação em nome dela sobre o processo. Não há previsão de que seja aberto espaço para perguntas dos senadores ao advogado.

Em entrevista à "Rádio Folha de Pernambuco", cujos principais trechos ela publicou no Twitter, a petista confirmou que quem irá fazer sua defesa na comissão é Cardozo, e que ela ainda avalia se irá ao plenário do Senado, onde será feito o julgamento final do impeachment no fim de agosto.

- A minha defesa amanhã será feita por escrito e lida pelo meu advogado. Estamos avaliando a minha ida ao plenário do Senado, em outro momento - disse, na entrevista.

A presidente afastada disse ainda que acredita e luta "todo dia" para voltar à Presidência. Segundo ela, o processo de impeachment é uma fraude. Dilma afirmou que avalia a proposta de plebiscito para a convocação de eleições diretas e disse que qualquer proposta de reforma política só pode ser tratada com seu retorno ao Palácio do Planalto.

- Toda proposta que implicar em eleição direta é bem-vinda. Estamos abertos à reforma do sistema político brasileiro. Qualquer processo de reforma política passa pela minha volta. A proposta de plebiscito está na mesa de discussão - disse.

A petista também aproveitou para criticar o presidente afastado da Câmara Eduardo Cunha:

- Cunha tenta um certo tipo de barganha muito pouco republicana. Não há como ter governabilidade e o custo ser a corrupção desenfreada. Negociar com Cunha é aceitar a agenda ultra conservadora em direitos individuais e coletivos. Essa negociação não aceitamos.

Dilma Rousseff  (Crédito: Divulgação)
Dilma Rousseff (Crédito: Divulgação)


AUSÊNCIA É ESTRATÉGICA

A ausência de Dilma é uma estratégia da defesa de resguardá-la para o momento final. Ela poderá ainda falar aos senadores no julgamento final, no plenário do Senado, o que deve ocorrer em agosto.Cardozo diz que ainda não há definição oficial sobre a ausência de Dilma, mas reconhece que essa é a tendência do momento.

Segundo a comissão, não é necessário nenhum documento para oficializar a ausência, bastando a representação dela pelo advogado no horário marcado para o interrogatório.Nesta terça-feira, a comissão ouvirá peritos que analisaram os aspectos econômico-financeiro e contábil do processo. Falarão João Henrique Pederiva, coordenador do laudo do Senado, e os assistentes da acusação, Selene Péres Péres Nunes, e da defesa, Ricardo Lodi Ribeiro.

Fonte: O Globo