Dilma vai a Aparecida e critica uso político da religião

Dilma vai a Aparecida e critica uso político da religião

Sacerdote recomenda à candidata Dilma Rousseff

Sob uma garoa fina, a candidata do PT à presidência da República, Dilma Rousseff, participou nesta segunda-feira (11) de uma missa no Santuário Nacional de Aparecida, no Vale do Paraíba, em São Paulo. A petista chegou pontualmente para a celebração das 9h acompanhada de políticos regionais e autoridades eclesiásticas, como o reitor do Santuário, padre Darci Nicioli.

O sacerdote celebrou a missa e se dirigiu diversas vezes à ex-ministra da Casa Civil, reforçando que nesta reta final é necessário "rezar, rezar e rezar". Dilma tenta se reaproximar dos fiéis após ataques da oposição que aponta a candidata como favorável ao aborto.

A celebração durou cerca de 45 minutos e durante a comunhão a petista não foi receber a hóstia sagrada das mãos do padre Darci. Segundo os costumes católicos, para poder receber a hóstia é necessário ter se confessado. A atitude provocou certo espanto das pessoas que acompanharam o culto. "Ninguém pode julgar a crença religiosa de ninguém", respondeu Dilma durante entrevista coletiva.

Questionada sobre a visita de última hora ao Santuário Nacional de Aparecida, que recebeu cerca de 15 mil pessoas hoje pela manhã, Dilma não associou sua ida à cidade com a tentativa de angariar votos entre os religiosos. "A tentativa de associar a minha campanha a assuntos religiosos é uma estratégia da oposição de rebaixar o nível do debate político do segundo turno. É necessário expor ideias sobre o que o Brasil precisa", disse.

Após sair da cerimônia, a ex-ministra afirmou: "queria estar aqui por causa de um problema recente em minha vida, que prefiro não comentar", sem especificar se falava do câncer que enfrentou.

Quem também esteve presente no culto junto à candidata petista foi o deputado federal eleito Gabriel Chalita (PSB-SP). O político é reconhecido por militar na frente católica e ser representante do retiro espiritual Canção Nova, em Cachoeira Paulista, local onde o Papa Bento XVI esteve em sua visita ao Brasil no ano de 2006.

Chalita tem um histórico político peculiar. Ele foi secretário de Estado da Educação no primeiro governo Geraldo Alckmin e foi eleito vereador em São Paulo pela coligação PSDB-PHS em 2008. Hoje o deputado é um dos defensores da petista Dilma Rousseff, principalmente em assuntos relacionados à religião.

Visita adversária

Nesta terça-feira (12), feriado nacional pelo dia de Nossa Senhora Aparecida, o adversário de Dilma nas eleições 2010, o ex-governador paulista José Serra (PSDB), visitará o Santuário Nacional. Ele é aguardado na missa das 10h da manhã e deve ser acompanhado pelo governador eleito Geraldo Alckmin (PSDB) e o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM).

As visitas dos presidenciáveis ao Santuário Nacional de Aparecida acontecem em meio à polêmica envolvendo o apoio dos eleitores cristãos no segundo turno.

Embora neguem motivação política, os candidatos estarão em busca de aproximação com os católicos e da visibilidade nacional proporcionada pela Festa da Padroeira.

O professor e sociólogo da Universidade de Taubaté, Alacir Arruda, entende que não há influência da religião na hora da escolha do representante político. Para ele, há uma bipartição de votos na hora do pleito. "Alguns religiosos que simpatizam com Dilma vão votar nela, a mesma coisa acontece com Serra que também terá os votos", explica o estudioso.

O destaque da Festa da Padroeira em Aparecida, nesta terça-feira (12), deverá ser a missa solene, às 10h, presidida por Dom Serafim Fernandes de Araújo, cardeal arcebispo emérito de Belo Horizonte (MG). Até o final do feriado prolongado na terça-feira, mais de 200 mil pessoas devem passar por Aparecida para acompanhar as celebrações, de acordo com a direção da Basílica Nacional.

Fonte: Terra, www.terra.com.br