Doleiros 'eram lobos maus', diz empreiteiro da operação Lava Jato

Lá que se refere, é reunião na qual ele afirma ter sido extorquido

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O empreiteiro Erton Fonseca, da Galvão Engenharia, disse ao juiz federal Sérgio Moro, que conduz as ações penais da operação Lava Jato, que o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa e o doleiro Alberto Youssef "parecem cordeirinhos" na frente do magistrado, mas "lá, a cara deles era de lobos maus mesmo".

O "lá", a que o executivo se refere, é uma reunião na qual ele afirma ter sido extorquido por Costa, Youssef e João Cláudio Genu, ex-assessor do PP, que teriam pedido R$ 4 milhões."Aqui, eu até vi na televisão, eles fazem cara de mansinhos para o senhor, parecem uns cordeirinhos para o senhor. Mas lá a cara deles não era de cordeirinhos, igual eles fazem para o senhor. Lá, a cara deles é de lobo mau mesmo. Apertando até dizer chega", afirmou o empreiteiro.Segundo Erton Fonseca, por volta do fim do ano de 2010, início de 2011, o ex-diretor pediu que ele atendesse uma ligação do 'primo', apelido de Youssef.

executivo contou que à Justiça, que o doleiro o chamou para uma reunião em Brasília sem especificar o assunto. Ele afirma que havia visto Youssef em uma ocasião, tempo antes, na casa do ex-deputado José Janene (PP-PR), morto em setembro 2010.O encontro na capital teria ocorrido em uma casa. Erton Fonseca conta só descobriu que 'primo' e Youssef eram a mesma pessoa quando chegou ao endereço e viu o doleiro na porta do imóvel."Me convidaram para entrar, entrei lá dentro da casa. Quando eu entrei na casa, eu já não entendi mais nada, porque estava o diretor Paulo Roberto dentro da casa. O que o diretor Paulo Roberto estava fazendo dentro daquela casa em Brasília com o assessor do PP, junto ao senhor Youssef?", contou Erton Fonseca."Em 2, 3 minutos de conversa fiada, já foram para o assunto. Colocaram que a diretoria de Abastecimento era do PP, que o partido contava com uma colaboração das empresas que trabalhavam para a Petrobras, nas obras de Abastecimento. Colocaram lá que a Galvão tinha em andamento diversos contratos e que se não desse a contribuição, eles iam atrapalhar a vida desses contratos. Eu fiquei lá naquela situação, questionei o Paulo Roberto: os contratos que nós ganhamos, o senhor sabe que nós ganhamos contratos por preços nunca antes praticados na Petrobras, a vantagem que a Petrobras teve na contratação desses contratos todos, o ganho que a Petrobras teve nesses contratos todos. Mesmo assim, ele não se alterou, continuou a insistência. Virou uma briga, que tinha que pagar, puxaram um número que seria R$ 4 milhões. (Eu) Disse que não tinha como pagar esses R$ 4 milhões, me senti extorquido por tudo quanto era lado, faca no pescoço pelos três."

"Eu estava enojado com aquela situação, jamais podia imaginar que uma pessoa do calibre do Paulo Roberto, com conhecimento técnico que ele tinha, eu considerava o Paulo Roberto um excelente engenheiro, pelas reuniões que eu havia participado com ele, técnicas. Fiquei enojado com aquilo e pedi um tempo. Disse que não tinha autonomia para resolver aquilo e dei um jeito de sair de lá. Voltei para São Paulo, procurei meu superior, que era o Jean, contei o caso para o Jean, ele também ficou indignado com a situação. E nós fomos procurar o Dario (Galvão, sócio da Galvão Engenharia)", explicou Erton Fonseca.O executivo disse, naquele momento, a empresa já havia mobilizado todas as obras. Foi decidido, então, que o pagamento dos R$ 4 milhões seria feito.

Segundo Erton Fonseca, o dinheiro foi pago por meio de um contrato de consultoria com a empresa MO Consultoria, empresa de fachada de Youssef, em 7 parcelas, durante o ano de 2011."Mobilização de obra é a fase que mais se gasta no contrato. Você gasta, gasta, gasta, mas não começou a executar, então você não tem faturamento, você só tem gasto. A Galvão já havia gasto uma barbaridade de dinheiro que ela nem tinha para mobilizar esses contratos", contou o executivo. "O Dario achou melhor ceder a essa situação e a pagar os R$ 4 milhões. Ele autorizou o pagamento de R$ 4 milhões de extorsão."

Fonte: UOL