Duas Coreias mantêm primeiro encontro de altos funcionários em dois anos

O encontro deste sábado foi o primeiro contato de alto nível entre as duas Coreias

 Autoridades da Coreia do Sul e da Coreia do Norte encarregadas das relações entre os dois países participaram de negociações neste sábado, pela primeira vez em quase dois anos, em meio a uma série de medidas conciliatórias da Coréia do Norte, após meses de tensões na península dividida.

O ministro sul-coreano da Unificação Hyun In-taek recebeu o chefe da espionagem norte-coreana, Kim Yang Gon, que também cuida de assuntos intercoreanos, disse o porta-voz do ministério da Coreia do Sul, Lee Jong-joo. Ela não deu detalhes sobre o encontro. A última vez que os funcionários responsáveis por assuntos intercoreano havia sido em no fim de 2007, durante a administração do presidente sul-coreano Roh Moo-hyun. "Eu gostaria de falar sobre questões intercoreanas", disse o ministro da Coreia do Sul, antes de entrar na sala de conferências de um hotel para encontrar-se com o ministro norte-coreano, informou a agência de notícias Yonhap.

Mas ele parecia cauteloso sobre a possibilidade de a delegação norte-coreana fazer uma visita de cortesia ao presidente Lee Myung-bak, cuja política de linha dura em relação ao regime comunista tornou difíceis as relações bilaterais. O encontro teve lugar um dia depois que o norte-coreano e outros cinco altos funcionários chegaram a Seul para prestar homenagens ao falecido Kim Dae-jung, ex-presidente sul-coreano admirado em ambos os lados da fronteira por sua busca por relações mais estreitas entre os dois países, divididos ao fim da Segunda Guerra (1939-1945).

O encontro deste sábado foi o primeiro contato de alto nível entre as duas Coreias desde que Lee Myung-bak, um conservador pró-EUA, tomou posse em fevereiro do ano passado. A empobrecida Coreia do Norte está irritada com a política de Lee de dar fim ao auxílio incondicional --que já respondeu por 5% da economia norte-coreana, estimada em US$ 17 bilhões-- e ligá-lo ao processo de Pyongyang em acabar com as ameaças que impõe aos vizinhos regionais.

A economia da Coreia do Norte, já combalida, foi afetada por sanções das Nações Unidas, impostas depois do lançamento de um foguete de longo alcance em abril. O movimento foi considerado um teste de míssil disfarçado. Houve ainda um exercício nuclear em maio. As sanções prejudicaram o comércio de armas da Coreia do Norte, uma fonte vital de dinheiro vivo para o país. A recente libertação, durante uma visita do ex-presidente americano Bill Clinton à Coreia do Norte, de duas jornalistas com nacionalidade americana que estavam presas no país foi vista como um gesto de aproximação com o Ocidente, mas o regime mantém um discurso com ameaças constantes contra intervenções da comunidade internacional.

Fonte: Folha Online, www.folha.com.br