Em depoimento, Sandro Mabel nega existência do mensalão no governo Lula

Mabel foi ouvido nesta manhã, pela juíza Pollyana Kelly Martins Alves, da 12ª Vara Federal do Distrito Federal

O deputado federal Sandro Mabel (PR-GO) negou nesta quarta-feira (28) que tenha conhecimento sobre a existência do mensalão. Em depoimento, ele afirmou não saber de qualquer oferta de apoio financeiro em troca da aprovação de projetos do governo, nem na gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, nem no governo Fernando Henrique Cardoso.

Mabel foi ouvido nesta manhã, pela juíza Pollyana Kelly Martins Alves, da 12ª Vara Federal do Distrito Federal, na condição de testemunha de defesa do ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares e do ex-líder do PP na Câmara José Janene (PR), ambos réus na ação penal do mensalão. Antes de iniciar o depoimento, o deputado confirmou que conhece os dois acusados.

Em 2005, quando o mensalão foi denunciado à imprensa pelo presidente do PTB, Roberto Jefferson, na época deputado federal, Sandro Mabel foi apontado como envolvido no esquema pelo petebista.

?Tenho conhecimento [do mensalão] em razão do que foi divulgado pela imprensa e, na Câmara, fui envolvido em uma ação paralela, mas absolvido?, disse, referindo-se ao processo de quebra de decoro no qual foi submetido sob a acusação de ter oferecido R$ 30 mil à deputada goiana Raquel Teixeira para que ela deixasse o PSDB e passasse a integrar o antigo PL, hoje PR, partido da base de apoio do governo Lula.

Questionado se tem conhecimento de alguma oferta de dinheiro em troca de apoio a propostas do governo, ele foi categórico. ?Nem no [governo] Lula, nem no [governo] FHC?. Quando perguntado se soube de alguma compensação financeira para a aprovação de reformas, como a tributária e previdenciária, ele também negou. ?Todas as reformas são muito difíceis. São disputas políticas, com muitos interesses sempre. Mas nunca ouvi que se fosse negociar dinheiro para isso [aprovação das reformas]?, completou.

Sandro Mabel também afirmou que não conhece o empresário Marcos Valério, apontado como operador do mensalão, esquema no qual parlamentares supostamente recebiam dinheiro em troca de apoio a projetos do governo no Congresso.

Já a defesa de Delúbio perguntou se Mabel conhecia o ex-tesoureiro. ?Conheço o Delúbio de Goiás, que é o meu estado. Ele era do Sindicato dos Professores. Fazia muito barulho nas praças?, afirmou.

O parlamentar, porém, disse não saber de qualquer envolvimento de Delúbio com irregularidades. ?A não ser as confusões que ele fez como sindicalista, mas no bom sentido. Ele é uma pessoa tranquila. Conheço ele muito antes do governo Lula. Estávamos sempre em campos opostos?.

Depoimentos

Na semana passada, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, e o ex-ministro da Fazenda e deputado Antonio Palocci (PT-SP) haviam prestado depoimento no caso mensalão, também como testemunhas de defesa. Já na segunda-feira (26) foi a vez de o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) José Múcio Monteiro, ex-ministro das Relações Institucionais, depor.

Cotada como possível candidata do PT à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma negou que tinha conhecimento da existência do mensalão antes de o esquema ser denunciado pela imprensa. Segundo ela, o esquema nunca existiu. Dilma também disse achar o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu um ?injustiçado?.

Já Antonio Palocci afirmou que tomou conhecimento sobre o mensalão pela imprensa. ?Tive conhecimento dos fatos divulgados em jornais da época e televisão. Não tenho conhecimento além do que foi publicado?, afirmou na última quarta (21).

Múcio, por sua vez, negou que deputados do PTB tenham participado do mensalão. Segundo ele, que exerceu a função de líder do PTB na Câmara, nenhum parlamentar do partido recebeu dinheiro em troca de apoio político ao governo. Múcio, porém, classificou o mensalão como um episódio que maculou o conceito do Legislativo.

Fonte: g1, www.g1.com.br