Em ritmo eleitoral, apps vão de vitrine de 'ficha suja' a 'Tinder de candidatos'

Em ritmo eleitoral, apps vão de vitrine de 'ficha suja' a 'Tinder de candidatos'

Em ritmo eleitoral, apps vão de vitrine de 'ficha suja' a 'Tinder de candidatos'

No aplicativo Tinder, que mostra as foto das pessoas mais próximas dispostas a conversar, o que conta é a aparência. Baseada na ideia de avaliações instantâneas, um estudante do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) criou um app voltado para as eleições. No "Voto x Veto", porém, saem os sorrisos e entram as palavras. O que deve ser julgado são as propostas de campanha dos candidatos à Presidência. A dois meses das eleições, aplicativos como esse chegam às lojas de Google e Apple para orientar eleitores que não descolam os olhos do celular, mas, em outubro, terão que encarar outra telinha: a da urna.

Para explicar como funciona o Voto x Veto, seu criador, o estudante Walter Nogueira, chama o app de "Tinder de candidatos". No aplicativo de paquera, os usuários só são liberados para conversar após as pessoas que lhes despertaram a atenção também demonstrarem interesse.

No Voto x Veto, o mecanismo é similar: os eleitores têm de ler a proposta; se lhes interessar, votam nela; do contrário, vetam-na; somente após uma escolha ou outra, o rosto do candidato responsável pela promessa surge na tela; depois de uma série de avaliações, o app exibe um ranking do nível de aceitação dos candidatos.

"O principal objetivo de fazer isso era não só ter uma ferramenta para os eleitores decidirem o voto de uma maneira mais fácil de usar, mas também dar uma chance a muitos candidatos de ter as mesmas condições de exporem suas propostas”, explica Nogueira.

'Tinder de candidatos' com toque de Lulu

As propostas foram retiradas dos planos de governo enviados pelos candidatos à Presidência ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Ainda assim, a briga não é igualitária, porque, como conta Nogueira, “tem candidato que botou 300 [propostas] e outro que colocou 16”.

Ainda assim será possível terem alto índice de aceitação. Para isso, basta que possuam muitas promessas avalizadas pelo eleitor, explica Nogueira. Isso porque a fórmula para criar o ranking é a quantidade de votos menos a de vetos dividida pelo número de propostas. "Pelos planos de governo que eu tenho lido aqui, muita gente vai ficar surpresa quando virem que concordam com candidatos de quem elas acham que discordam plenamente."

Surgida ainda em 2013, a ideia do app vem sendo amadurecida desde então e foi tão longe que o estudante aprendeu a programar e dedicou tanto tempo ao app que, em seu último ano no ITA, ainda não começou o trabalho de conclusão de curso. Nogueira diz que o plano era quebrar barreiras ao engajamento na política. Por isso, adotou uma tática mais comum às startups, de que “você é que tem de fazer o cara usar” a tecnologia. Além do Tinder, outra inspiração, devido à forma como criava rankings, foi o Lulu, que causou polêmica no Brasil ao incitar mulheres a avaliarem o desempenho de homens.

'Ficha Suja'

Disponível por enquanto para Android, do Google, o app deve ser lançado na próxima semana para o iOS, sistema da Apple. Outros aplicativos com cunho eleitoral são o "Ficha Suja" e o "Candidatos", ambos desenvolvidos por Maurício Júnior, professor da Universidade Católica de Brasília.

O primeiro mostra os políticos enquadrados pelo TSE na Lei da Ficha Limpa, que barra as candidaturas de condenados por órgãos colegiados do Judiciário ou aqueles que tiveram rejeitadas as contas no exercício de cargos ou funções públicas. É possível selecionar os políticos por estado de filiação, por partido e até ver aqueles que concorrem na eleição deste ano e são considerados inelegíveis pelo TSE.

O segundo app mostra informações dos candidatos à Presidência, como as promessas de campanha e a história do partido que representam. Também mostra informações referentes à Justiça Eleitoral, como restrições de propaganda .

Apuração em tempo real

O TSE também entrou na onda dos aplicativos e lançou dois. O "Candidaturas" mostra dados sobre os mais de 25 mil políticos que concorrem a cargos de deputado distrital, estadual, federal, senador, governador e presidente.

Já o "Locais de Votação" utiliza os recursos de geolocalização do celular para mostrar a melhor forma de chegar ao ponto em que o eleitor deverá votar.

O terceiro app será lançado no dia da eleição para que os eleitores possam acompanhar a apuração das urnas em tempo real.

Aplicativo financiado

Já o professor da Unicamp Diego Aranha conseguiu levantar R$ 30 mil no site de financiamento coletivo "Catarse" para tirar do papel o "Você Fiscal".

O objetivo é receber dos eleitores fotos dos Boletins de Urna, que mostram os votos recebidos por cada candidato em cada seção eleitoral, e fazer uma apuração paralela. Com isso, o professor quer que os celulares sejam uma ferramenta para tornar as eleições mais participativas.

Fonte: G1