Estrela petista desaparece de placas e santinhos em campanha

Para marqueteiros de campanhas petistas no Rio, o cuidado no uso de símbolos do PT remete a uma preocupação com o eleitor


Estrela petista desaparece de placas e santinhos

Símbolo maior do PT, a estrela vermelha anda sumida do material de propaganda política na maior parte das cidades fluminenses onde há candidato petista a prefeito. E, quando ela é usada, aparece tímida. A cor vermelha, outra marca da legenda, também foi preterida em santinhos, placas e deixou de reinar sozinha nos sites de candidatos. Em seu lugar, o branco, o azul e o laranja dão o tom da campanha.

Em São Paulo não é muito diferente. Na capital paulista, o laranja é mais visto que o vermelho. Segundo membros da campanha, para mostrar que o candidato traz mudança.

Para marqueteiros de campanhas petistas no Rio, o cuidado no uso de símbolos do PT remete a uma preocupação com o eleitor, que pode relacionar candidatos e sigla ao julgamento do mensalão.

Candidato a prefeito de Niterói, na região metropolitana, o ex-secretário estadual de Assistência Social Rodrigo Neves trocou o vermelho pelo fundo branco em placas, adesivos e santinhos. A estrela desapareceu das ruas, sob alegação de que sua coligação é extensa. Em Paraty, o material de campanha do candidato a prefeito Carlos Miranda, o Casé, usa a cor laranja, sem estrela.

Já o deputado estadual e candidato petista a prefeito de Teresópolis, na Região Serrana, Nilton Salomão, evitou o vermelho no alto de seu site de campanha, ao contrário de sua página de parlamentar. O fundo tem cores da bandeira nacional.

Em Japeri, na Baixada Fluminense, o deputado estadual e candidato petista a prefeito André Ceciliano investiu no azul. Ainda na Baixada, o candidato do PT a prefeito de Mesquita, André Taffarel, usa a estrela do partido em seu site apenas no pé da página.

De acordo com o presidente regional do PT , Jorge Florêncio, cada candidato tem a liberdade para criar seu material de campanha. No entanto, recomenda-se que sejam usadas a estrela e a cor vermelha. Florêncio descarta qualquer relação da retirada de símbolos do PT com o julgamento do mensalão em curso no Supremo Tribunal Federal.

Em São Paulo, partido opta pelo ?laranja amanhecer?

Em São Paulo, o PT não chegou a abandonar de vez o vermelho na campanha eleitoral deste ano, mas adotou o laranja como cor predominante nas bandeiras e folhetos do candidato Fernando Haddad. A estratégia é remeter a imagem do ex-ministro petista, cujo slogan é ?o homem novo para um tempo novo?, ao amanhecer, segundo a campanha, aos conceitos de novidade e mudança. O esforço dos petistas é diferenciar a candidatura de Haddad a de José Serra, candidato do PSDB, que já foi prefeito e governador de São Paulo.O laranja será usado também na propaganda eleitoral televisiva, em cenários de estúdios e artes visuais. O candidato do PT tem feito, inclusive, gravações externas durante o início da manhã, para captar imagens de fundo do amanhecer. A cor também é associada, na linguagem semiótica, à juventude e à dinâmica. Novato em campanhas eleitorais, Fernando Haddad é 21 anos mais novo que seu principal adversário do PSDB.

? Nós não abandonamos o vermelho. Essa cor amarelo-alaranjada, usada em alguns materiais de campanha, indica a novidade, a esperança, sugere o novo ? explica o vereador José Américo, membro do conselho de campanha.

Entre o branco e o vermelho

Ao contrário do que acontece no Rio e em São Paulo, em Recife o vermelho e a estrela foram mantidos. A cor ainda caracteriza as roupas não só de candidatos (vice e vereadores), mas também da militância. Apenas o Senador Humberto Costa (PT-PE), candidato a prefeito, deixou de vestir o vermelho e usa camisas brancas. Ele nega que a opção tenha a ver com algum temor em relação ao mensalão.

? Sempre usei o vermelho. O problema é que todo mundo está usando e eu preferi mudar para dar destaque ao candidato. Se saio do mesmo jeito da militância, ninguém me vê no meio da multidão, durante as caminhadas. O branco, que é diferente, é que dá o destaque. Mas a militância não gosta disso não. Cobra a cor vermelha, reclama, diz que estou vacilando, afirma o petista.

Com vantagem nas pesquisas de opinião ? 40% das intenções de voto no Ibope e 35% por cento no Datafolha ?, Humberto Costa diz não ver motivo para introduzir mudanças na programação visual de sua campanha:

? Acho importante ratificar cor e símbolo do partido, que é muito forte em Recife. Então, ao invés de omitir, vamos carregar nos símbolos.

Fonte: Extra