Gastos públicos com consultorias chegam a R$ 2 bilhões ao ano

Principal justificativa é a falta de especialização de mão de obra; obras do PAC turbinaram contratações.

A expansão de obras e outros investimentos promovida pelo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) multiplicou nos últimos anos o volume de dinheiro público destinado à contratação de serviços de consultoria.

Juntos, União, Estados e municípios injetam nesse mercado cerca de R$ 2 bilhões anuais em recursos originários da arrecadação de impostos, sem considerar os gastos com receita própria das empresas estatais.

A quantia equivale a cem vezes o faturamento da empresa Projeto, do ministro Antonio Palocci (Casa Civil), no ano passado, de R$ 20 milhões.

O governo federal responde pela maior parte da escalada recente dessa modalidade de despesa. Se em 2006, antes do PAC, as verbas para consultorias ficaram pouco acima dos R$ 200 milhões, no ano passado se aproximaram dos R$ 600 milhões.

Descontada a inflação, o aumento foi de 129%. No período, a soma de gastos da União -pessoal, custeio administrativo, programas sociais e investimentos- cresceu a um terço desse ritmo. Ao permitir o afrouxamento da política fiscal e elevar os recursos para obras de infraestrutura, o PAC, lançado como prioridade do segundo mandato de Lula, respondeu pela maior parte do aumento de gastos com consultorias.

O motivo, em tese, é a falta de pessoal especializado, apesar da contratação de mais funcionários públicos na administração petista. Mais da metade dos valores de 2010 se vincula ao PAC, sobretudo contratos do Ministério dos Transportes. A pasta trabalha com as duas empresas que mais receberam por consultorias em 2010, a STE (R$ 42,8 milhões) e a Concremat (R$ 29,4 milhões, incluindo contratos com Integração Nacional, Minas e Energia e Fazenda).

Entre os maiores pagamentos há nomes mais conhecidos, como a Fundação Getulio Vargas, que trabalha com diversos órgãos dos três Poderes, e a FSB Comunicação, cujo principal contrato era com a Saúde. A empresa também foi contratada no mês passado para ajudar Palocci a lidar com a crise provocada pela revelação de seus negócios.

A empresa do ministro não aparece entre as beneficiárias primárias dos desembolsos. Um eventual acesso da Projeto a recursos federais, portanto, só teria ocorrido por meio de subcontratações, que são permitidas em boa parte das operações.

Fonte: Folha.com