Governo descarta um novo aumento do salário mínimo

Planalto alega que cada real de aumento incharia o orçamento em R$ 280 milhões

Após três horas de reunião, o governo rejeitou propostas das principais centrais sindicais do país de um novo reajuste do salário mínimo em 2011. Representantes dos trabalhadores pediam valores entre R$ 560 e R$ 580, mas o governo manteve sua proposta e elevar o valor de R$ 540 para R$ 545.

Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força Sindical, disse que a reunião com os ministros Guido Mantega (Fazenda), Carlos Lupi (Trabalho) e Gilberto Carvalho (Secretaria Geral da Presidência) não chegou a um resultado.

- Foi frustrante. Estamos incomodados com a proposta do governo de Dilma Rousseff, de corrigir o salário mínimo. Salário não é correção, nossa ideia é valorizar. Dar só a inflação é frustrante.

Ele criticou a ideia do governo de não reajustar o mínimo além dos R$ 545 propostos pelo governo.

Já o ministro Mantega disse que um aumento além de R$ 545 feriria o acordo feito com os próprios sindicatos.

- Teremos um forte aumento do mínimo em 2012. O salários já cresceram, como nunca visto antes, desde 2003, no governo Lula. Esse patamar será mantido elevado.

O governo deve realizar nova reunião com as centrais sobre o assunto na semana que vem.

Carvalho disse, por sua vez, que além do mínimo ainda há assuntos importantes a serem debatidos, como o acordo de valorização dos ganhos dos aposentados e o aumento da tabela do IR (Imposto de Renda).

- O salário mínimo de 2011 ainda não está fechado, mas ele não é nossa única preocupação. Até mesmo porque em 2012 trabalhamos com um aumento acima de 13% dos salários dos trabalhadores.

Reajuste

Desde o dia 1º de janeiro de 2011, o valor do salário passou de R$ 510 para R$ 540. Segundo as contas feitas pelo Palácio do Planalto, cada real de aumento significaria acréscimo superior a R$ 280 milhões no orçamento do governo.

O reajuste do salário mínimo neste ano é uma das principais polêmicas das contas do governo. Isso porque a atual política de valorização do mínimo considera a inflação do período e o crescimento da economia para dar aumentos aos trabalhadores.

Funciona assim: em 2011, o mínimo deveria ser reajustado pela inflação oficial do INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) de 2010 e pelo desempenho do PIB (Produto Interno Bruto, soma de todas as riquezas produzidas no país) de 2009. Essa regra ficaria em vigor de 2007, quando foi criada, até 2023.

Mas 2009 foi o ano da crise, o PIB ficou negativo, e, considerando a política de reajuste do mínimo em vigor, os salários não deveriam ter quase nenhum aumento. É justamente o que o governo propõe.

Os ministros de Dilma Rousseff dizem que o avanço da economia de 2010 ? o ano da recuperação ? faria com que os salários tivessem um forte avanço. Mas esse reajuste só seria debatido no ano que vem, enquanto os trabalhadores continuariam a ver o preço dos alimentos subir neste ano sem que sua renda acompanhe esse aumento.

Para as centrais, muitas categorias profissionais obtiveram aumentos acima da inflação, como consequência da recuperação da economia no ano passado, com crescimento superior a 7%. Um reajuste na contramão dessa tendência diminuiria o valor do mínimo.

É o caso, inclusive, dos próprios parlamentares que deverão votar o reajuste do mínimo em questão: a categoria viu os seus vencimentos aumentarem 60% neste ano, de R$ 16.512 para R$ 26.713. Essa porcentagem supera, em muito, a somatória da inflação do ano passado e o resultado do PIB de 2009.

Participaram do encontro, em São Paulo, representantes da Força Sindical, da CUT (Central Única dos Trabalhadores), da CGTB (Central Geral dos Trabalhadores do Brasil), da CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil), da UGT (União Geral dos Trabalhadores) e da NCST (Nova Central Sindical de Trabalhadores).

Fonte: R7, www.r7.com