Greve de fome não é válida para libertar dissidentes, diz Lula

Presidente pediu respeito à Justiça de Cuba e afirmou não ter recebido nenhuma carta de dissidentes cubanos

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva questionou nesta terça-feira, 9, o método utilizado por opositores políticos cubanos para pressionarem por sua libertação.

"Eu penso que a greve de fome não pode ser usada como um pretexto de direitos humanos para libertar as pessoas. Imagine se todos os bandidos que estão presos em São Paulo entrassem em greve de fome e pedissem liberdade", disse o presidente.

Lula também pediu respeito às determinações da justiça cubana sobre detenção dos dissidentes que estão em greve de fome, um dos quais morreu.

"Temos que respeitar a determinação da justiça e do governo cubanos, como quero que respeitem o Brasil", afirmou Lula em uma entrevista à AP.

Suas declarações foram feitas no momento em que o dissidente cubano Guillermo Fariñas se mantém em greve de fome desde 24 de fevereiro na cidade de Santa Clara.

No final desse mês, o opositor Orlando Zapata morreu devido a complicações de saúde provocadas também por uma greve de fome enquanto Lula visitava Cuba para se encontrar com o presidente Raúl Castro e seu irmão, o ex-líder Fidel.

Lula recordou que em seu tempo de líder sindical de oposição à ditadura militar, que governou o Brasil de 1964 a 1985, fez greves de fome e qualificou a prática como uma "insanidade".

"Gostaria que não ocorressem (detenções de presos políticos) mas não posso questionar as razões pelas quais Cuba os prendeu, como tão pouco quero que Cuba questione as razões pelas quais há pessoas presas no Brasil", acrescentou o líder.

Segundo uma fonte da presidência que preferiu manter o anonimato, Lula também afirmou que não recebeu nenhuma carta de dissidentes cubanos ligados a Guillermo Fariñas, e que desconhece um pedido para que interceda por presos políticos em Cuba.

Fonte: Estadão, www.estadao.com.br