Imprensa internacional destaca fim do governo Lula

Lula acena ao se despedir do Palácio do Planalto, no último dia de seu mandato

Veículos da imprensa internacional publicaram nesta sexta-feira reportagens sobre o último dia de governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que entrega no sábado a faixa presidencial para sua sucessora, a também petista Dilma Rousseff. Além do assunto do dia - a não extradição do ex-ativista italiano Cesare Battisti -, a mídia destacou a expansão econômica e as mudanças sociais no País nos últimos oito anos.

A versão online do jornal inglês The Guardian ressalta as origens humildes de Lula. "Ele foi o primeiro presidente do Brasil da classe trabalhadora, ex-operário obcecado por futebol, que trocou a pobreza rural pelo mais alto cargo em seu país e ajudou a empurrar 20 milhões de pessoas para fora da pobreza", abre a reportagem. O jornal afirma que a posse da "ex-rebelde marxista" Dilma Rousseff marcará o fim oficial da Era Lula.

O texto avalia ainda que o petista deixa o governo de um país que se transformou radicalmente, com a economia em expansão e a redução da pobreza - graças, segundo o jornal, aos programas de combate à fome e transferência de renda do governo Lula. A publicação destaca ainda que o presidente termina o segundo mandato com índice de aprovação de quase 90%.



Em seu blog no site do espanhol El País, Ramón Lobo compara Lula ao líder sul-africano Nelson Mandela. "Em uma época em que o poder corrompe, mancha, modifica os que o ocupam e decepciona os eleitores, Lula resultou extraordinário. Como Nelson Mandela", escreveu. "Nos oito anos de Lula, o Brasil abandonou seu papel secundário, não apenas na América Latina, e se mostra agora como um país corajoso, empreendedor, simpático e em transformação, afirmou, destacando que o ministro da Economia, Guido Mantega, assegura que o País será a quinta economia do mundo em 2026.

A agência de notícias AP destaca que Lula termina seu segundo mandato na Presidência em triunfo. "Ele entrega o cargo à sua sucessora escolhida a dedo, Dilma Rousseff, uma tecnocrata de carreira eleita graças à popularidade recorde de seu mentor", diz a reportagem. "Lula lutou contra as alas mais radicais do seu Partido dos Trabalhadores e usou políticas econômicas ortodoxas para conduzir o País a um crescimento sem precedentes".

A reportagem acrescenta, no entanto, que o presidente não atingiu todos os seus objetivos, especialmente nas áreas de reforma fiscal e previdenciária, e destaca que o sistema de educação brasileiro ainda fica para trás, assim como a infraestrutura, que pode dificultar a realização da Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016.

A não extradição de Battisti ganhou destaque na página do francês Le Monde como a última decisão de Lula, no último dia do mandato. A publicação afirma que Lula "esperou as últimas horas de sua presidência para anunciar uma das decisões mais difíceis - e inevitavelmente controversas - que teve de tomar". E acrescenta que o presidente indicou várias vezes, após o Supremo Tribunal Federal autorizar a extradição, que era contra a medida.

A decisão ganhou destaque também na capa do portal do italiano Corriere Della Sera, que ressaltou que Lula deixou para o anúncio para o último dia no cargo. A reportagem ouviu o filho de um joalheiro que teria sido morto por Battisti em 1979. "É uma vergonha", disse Alberto Torregiani, defendendo um boicote ao Brasil.

Fonte: Terra, www.terra.com.br