Irã aceita acordo com Turquia e Brasil, após negociação com participação de Lula

Irã aceita acordo com Turquia e Brasil, após negociação com participação de Lula

Acordo foi anunciado nesta segunda-feira (17) após negociações

O Irã concordou em fazer a troca de combustível nuclear na Turquia, anunciou nesta segunda-feira (17) o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Ramin Mehmanparast. O acordo sobre o enriquecimento de urânio iraniano foi assinado nesta segunda após reuniões realizadas entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, e o primeiro-ministro turco, Tayyip Erdogan, em Teerã.

Segundo o acordo, o Irã enviará 1.200 kg de urânio de baixo enriquecimento para a Turquia, que devolverá o material enriquecido para um reator de pesquisas do Irã. Depois de até um ano, o Irã deverá receber 120kg de urânio enriquecido a 20%. De acordo com o porta-voz do ministério das Relações Exteriores iraniano, o urânio enriquecido estará sob supervisão da Agência Internacional de Energia Atômica na Turquia.

Após a assinatura do acordo, o ministro de Relações Exteriores turco, Ahmet Davutoglu, disse que não há mais justificativas para outras sanções e pressões das Nações Unidas sobre o Irã a respeito da questão nuclear. Os EUA ainda não se pronunciaram sobre o acordo.

Assim que assinou o acordo, o presidente iraniano iniciou ligações rápidas para os países membros do Conselho de Segurança das Nações Unidas (Estados Unidos, Rússia, China, França e Inglaterra), além da Alemanha. ?É o momento de esses países iniciarem conversas com o Irã baseadas na honestidade, Justiça e respeito mútuo?, disse.

Viagem de Lula

Lula desembarcou na noite de sábado no Irã em busca de tentar o acordo nuclear com o país. A visita do presidente foi considerada por potências internacionais a última chance de evitar uma nova rodada de sanções da Organização das Nações Unidas (ONU) ao Irã, cujo programa nuclear é visto com desconfiança, principalmente pelos Estados Unidos.

Em outubro, a Organização das Nações Unidas (ONU) propôs ao Irã que enviasse 1.200 kg de urânio de baixo enriquecimento para a França e para a Rússia, onde seria convertido em combustível para um reator de pesquisas em Teerã. O país chegou a concordar com o acordo no início, mas depois impôs condições como a de só trocar seu material por urânio em níveis maiores de enriquecimento e somente no seu próprio território, termos que as outras partes envolvidas no acordo consideraram inaceitáveis.

Antes de embarcar para Teerã, Lula havia falado em "99% de chances" de chegar a um acordo com o país de Ahmadinejad. Por sua vez, o porta-voz do Ministério de Relações Exteriores do Irã, Ramin Mehmanparast, informou no sábado (15) que havia a possibilidade de fechar um "sério acordo" com o Brasil para a troca de combustível nuclear.

Turquia

O premiê da Turquia chegou ao Irã na noite do domingo. Antes de embarcar, ele falou na possibilidade de um acordo em que a troca de urânio enriquecido seria feita em território turco.

"Estou indo ao Irã porque uma cláusula será acrescentada ao acordo que diz que a troca será feita na Turquia", disse o premiê turco. "Teremos a oportunidade de começar o processo em relação à troca. Eu garanto que encontraremos a oportunidade para superar esses problemas, se Deus quiser", afirmou Erdogan.

Ceticismo

Nesta sexta-feira (14), a secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton, reafirmou o ceticismo dos norte-americanos quanto às chances de sucesso no diálogo com o o Irã. Perguntado sobre a declaração de Hillary, durante uma entrevista coletiva em Doha, o presidente brasileiro respondeu sem citar o nome da secretária americana.

"Eu não sei com base no que as pessoas falam [isso]", disse Lula. "Não é porque o meu time não ganhou o jogo de ontem que ele não pode ganhar o jogo de amanhã", afirmou o presidente em entrevista concedida após o encontro com o emir do Catar, Hamad bin Khalifa Al Thani, neste sábado.

A nação islâmica começou um enriquecimento maior em fevereiro para produzir combustível para um reator de pesquisa, após as negociações com as grandes potências para uma possível troca de combustíveis terem falhado. A medida aproxima o enriquecimento de urânio no Irã aos níveis necessários para a produção de material para armas --urânio refinado com 90% de pureza.

Fonte: G1 e Estadão