Itália extradita ex-militar condenado por realizar tráfico de órgãos no Brasil

O israelense, condenado no final de 2004, terá que cumprir no Brasil o que resta de sua pena de 8 anos e 9 meses, segundo a Polícia.

O major da reserva do exército de Israel Gedálya Tauber, condenado no Brasil por liderar uma organização que traficava órgãos humanos, será extraditado pela Itália, onde estava preso por pedido das autoridades brasileiras, informaram nesta quarta-feira fontes oficiais.

A Polícia Federal informou hoje que enviou um delegado e um agente a Roma para que se encarreguem da escolta do condenado depois que as autoridades italianas aprovaram a extradição.

"O israelense estava foragido há 5 anos e foi preso pela Polícia Italiana, ao apresentar passaporte falso. Sua extradição já foi autorizada", informou em sua conta no Twitter a Polícia Federal, que desarticulou em 2003 a organização comandada por Tauber.

O israelense, condenado no final de 2004, terá que cumprir no Brasil o que resta de sua pena de 8 anos e 9 meses, segundo a Polícia.

Além de Tauber, um juiz do estado de Pernambuco condenou 11 brasileiros à prisão, entre os quais está um capitão aposentado da Polícia Militar, por sua responsabilidade na extração e no comércio de órgãos humanos.

O mesmo juiz deixou em liberdade às pessoas processadas por ter vendido seus rins à organização criminosa.

A rede, segundo investigações da polícia, recrutava homens e mulheres pobres em bairros da periferia de Recife, capital de Pernambuco, e os deslocava até cidades da África do Sul, onde eram submetidos a cirurgias para a extração dos órgãos.

A organização obteve em dois anos de atividades cerca de US$ 4,5 milhões com a compra no Brasil e posterior venda a países da Europa de aproximadamente 30 rins, segundo as investigações.

Tauber foi detido no Brasil em 2003, mas aproveitou o benefício da liberdade condicional para fugir do país.

Na época assegurou que, como os transplantes de órgãos estão proibidos em Israel por razões religiosas, o sistema público desse país custeia despesas dos que desejarem fazer isso em um terceiro país.

Fonte: Terra