Justiça bloqueia bens de deputado acusado de receber R$ 2,8 mi

Segundo o Ministério Público, entre 2006 e 2009 o deputado Nemer recebeu mais de R$ 2,8 milhões em troca de apoio polític

A Justiça do Distrito Federal determinou o bloqueio dos bens do deputado distrital Roney Tanios Nemer (PMDB), investigado pela operação Caixa de Pandora da Polícia Federal por suspeita de envolvimento no esquema de desvio de recursos do Governo do DF, conhecido como mensalão do DEM.

Segundo o Ministério Público, entre 2006 e 2009 o deputado Nemer recebeu mais de R$ 2,8 milhões em troca de apoio político ao então governador José Roberto Arruda (ex-DEM). Arruda ficou preso durante dois meses por decisão do STJ (Superior Tribunal de Justiça), após tentar subornar testemunhas do esquema.

Ao determinar o bloqueio dos bens, o juiz da 2ª Vara da Fazenda Pública considerou que existem fortes indícios para a concessão da liminar. "Os elementos de prova e os indícios colacionados aos autos são suficientemente claros no sentido de que o réu teria recebido vultosas quantias em dinheiro, advindas de conhecido esquema de corrupção perpetrado em nossa capital?, diz o juiz na decisão.

Segundo o magistrado, é justificável o temor do MP de que o deputado se desfaça de seus bens, que segundo as investigações foram obtidos de forma ilícita.

A operação

Deflagrada em novembro do ano passado, por ordem do ministro Fernando Gonçalves, do STJ (Superior Tribunal de Justiça), a operação Caixa de Pandora executou mandados de busca no Palácio do Piratini, sede do Governo do DF, além de gabinetes de secretários e deputados distritais.

As diligências buscaram novas provas de um esquema de desvio de recursos públicos para pagamento de mesada a parlamentares e outras autoridades do DF. Segundo o inquérito, empresas de informática com contratos com o Governo alimentavam o esquema, operado por Durval Barbosa, responsável por distribuir o dinheiro para deputados e até para o próprio Arruda.

Com autorização judicial, Barbosa gravou conversas com membros do alto escalão do governo, incluindo Arruda. Além das provas oficiais, o ex-secretário também registrou dezenas de vídeos de entrega de dinheiro da propina. No mais célebre deles, o presidente da Câmara Distrital, deputado Leonardo Prudente (ex-DEM), é flagrado escondendo maços de dinheiro nas meias. Prudente renunciou ao mandato para escapar da cassação.

Fonte: UOL