Projeto de lei quer desconto no prato de quem reduziu estômago

Segundo o vereador, a proposta surgiu da vivência com pessoas que passaram por operações bariátricas

Um Projeto de Lei que obriga os restaurantes e bares a oferecerem 50% desconto para pessoas que tenham passado por algum tipo de cirurgia de estômago entra em segunda votação nesta segunda-feira (7), na Câmara dos Vereadores de Campinas (SP). A proposta é de autoria do vereador Francisco Sellin (PMDB) e, de acordo com ele, a posição da Câmara deve se mostrar favorável na votação, mas, na cidade, o projeto divide opiniões.

Segundo o vereador, a proposta surgiu da vivência com pessoas que passaram por operações bariátricas, de redução do estômago. "Ela [a pessoa] não chega a comer metade, então não é justo que pague o preço total", afirma ele. Caso a lei seja aprovada, os estabelecimentos deverão oferecer desconto ou meia-porção para os clientes que provarem através de carteirinha ou atestado médico que passaram pela cirurgia. Além disso, os restaurantes serão obrigados a colocar cartazes em lugares visíveis, informando os clientes sobre o novo direito.

Alexandre Abraão Buselli, comerciante, fez a cirurgia há 5 anos, mas gostou da iniciativa. "Acho que seria uma boa medida", afirma ele, "Ajudaria bastante". O comerciante conta que muitos restaurantes se recusavam a dividir um prato único em dois, ou mesmo deixar que pedisse a meia-porção, desestimulando a sair com os amigos. "Depois da cirurgia a gente não tem a mesma capacidade, não dá para pedir um prato inteiro que sobra e sai mais caro", comenta, "Por isso comecei a frequentar só restaurantes que davam a opção de dividir".

O entusiasmo de Buselli não foi compartilhado por Antônio Pereira, proprietário do bar e restaurante Empório Villa Maria. Perguntado sobre o projeto, Pereira se mostrou contrário. "Seria interessante para esse paciente, para o restaurante certamente vai dar prejuízo", comenta. De acordo com ele, caso a lei seja aprovada, os restaurantes precisariam de um período de adaptação para reverem o tamanho das porções e calcularem os gastos. "Não dá para ser assim, num estalo", ressalta.

Já André Gustavo Magalhães profissional da área de marketing, foi mais categórico com sua desaprovação. "Fiz a cirurgia há 10 anos e em nenhum momento senti essa necessidade. Não tem porque a Câmara gastar tempo com isso, deviam pensar em saúde, em escola."

Redução de Estômago

Segundo um levantamento de dados realizado pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM), entre 2003 e 2010 o número de cirurgias de redução de estômago aumentou 375%, passando de 16 mil operações para 60 mil, em todo o país. Em Campinas, o Hospital de Clínicas da Unicamp realiza uma média de 5 a 8 cirurgias por semana, além de receber 250 pacientes para as atividades de preparo que antecedem cada cirurgia de redução.

O gastrocirurgião Élinton Adami Chaim, do Departamento de Cirurgia Bariátrica do hospital, explica que existem dois tipos de cirurgia. "Com a cirurgia mais restritiva o estômago fica menor e a pessoa teoricamente ingere menor quantidade", conta, "Com uma cirurgia mais desabsortiva as pessoas podem comer de modo normal. O paciente que faz esse procedimento não vai comer tanto quanto comia antes, mas come igual uma pessoa não operada."

Para o médico, o tamanho das porções oferecidas não induz necessariamente o paciente a comer em excesso, nem mesmo a comer menos. "A gente oferece um preparo muito grande para essa pessoa, acompanhamento emocional, psicológico. A pessoa que quiser fazer a cirurgia vai participar de 4 a 11 semanas dessa reeducação, então, quando sair da cirurgia, vai estar preparada para comer normalmente".

Fonte: G1