Líderes da Câmara de Deputados usam cota de passagens aéreas para viajar ao exterior

Em dois anos, foram 82 viagens ao exterior, quase sempre com suas famílias

Deputados brasileiros líderes de partidos também utilizaram sua cota de passagens aéreas para viajar ao exterior. Os lugares preferidos de metade dos 23 líderes parlamentares da Câmara também são os destinos dos sonhos de turistas brasileiros: Nova Iorque (Estados Unidos), Paris (França), Miami (Estados Unidos) e Buenos Aires (Argentina).

Em dois anos, foram 82 viagens ao exterior, quase sempre com suas famílias, e com tudo pago com a cota a que têm direito. O site Congresso em Foco destaca os campeões em viagens.

O líder do PP, Mário Negromonte (BA), também é o líder da lista. Foram 23 voos entre São Paulo e Nova Iorque. Bilhetes em nome dele, da mulher e das filhas. Por telefone, o deputado afirmou não ter feito nada ilegal, e que só pôde usar a cota porque economizou, fez "sacrifícios" durante o ano ao viajar, inclusive de madrugada, em trechos domésticos.

Em segundo lugar na lista, aparece o deputado Fernando Coruja (SC), líder do PPS. Ele emitiu 19 passagens internacionais, sendo oito para levar a família a Paris. Em nota, explicou que também fez economia ao optar por voos mais baratos ao longo do ano.

O líder do PMDB, Henrique Alves (RN), vem em terceiro lugar no ranking dos mais viajados. Por conta da Câmara dos Deputados, foram 13 passagens para Miami, Buenos Aires e Nova Iorque. Algumas para sua família. O deputado não foi encontrado para comentar a reportagem.

Lista

Na lista de 11 líderes que usaram a cota da Câmara para viajar ao exterior, também aparecem: José Sarney Filho (PV-MA), Ivan Valente (PSOL-SP), Sandro Mabel (PR-GO), Cléber Verde (PRB-MA), José Aníbal (PSDB-SP), André de Paula (DEM-PE), Daniel Almeida (PCdoB - BA) e Uldurico Pinto (PMN-BA).

Aproveitar a cota de passagens para viajar com a família não é ilegal. Pelas regras da Câmara, cada deputado pode usar as passagens do jeito que quiser. A prática é geral. Não importa se o partido é do governo ou da oposição. O Ministério Público, entretanto, já recomendou que as passagens sejam emitidas apenas em nome do parlamentar e para o estado onde ele foi eleito.

Os deputados Sarney Filho e José Aníbal disseram que vão reembolsar a Câmara se for confirmada alguma irregularidade. Sandro Mabel afirmou que não fez nada irregular. Ivan Valente diz ter viajado em atividade parlamentar e levado a ulher. Os outros deputados não foram encontrados.

Fonte: g1, www.g1.com.br