Lula admite PIB abaixo do ideal, mas minimiza necessidade de mudança

Em duas horas de conversa, falou sobre Copa, Fifa, protestos, economia, educação, relações internacionais, segurança pública, eleições e política

Em entrevista à imprensa internacional, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quinta-feira que não está satisfeito com a baixa taxa de crescimento do Brasil, mas minimizou a necessidade de profundas mudanças na política econômica. Segundo reportagem da agência Reuters publicada em seu site, Lula afirmou que o Brasil tem enfrentado uma desaceleração do crescimento semelhante à registrada em países da Europa e nos Estados Unidos, mas ponderou que o Brasil tem criado empregos num ritmo mais rápido.

O ex-presidente concedeu uma entrevista coletiva na manhã desta quinta-feira a nove correspondentes de veículos estrangeiros no Brasil. Em duas horas de conversa, falou sobre Copa, Fifa, protestos, economia, educação, relações internacionais, segurança pública, eleições e política. Na próxima semana, o Instituto Lula divulgará trechos da entrevista.

De acordo com a reportagem da Reuters, o ex-presidente disse que "obviamente? o PIB brasileiro ?não é o que a gente gostaria?. ?Quando as pessoas acham que o Brasil não cresceu muito nestes últimos quatro anos, a pergunta que faço é: ?quem cresceu mais do que o Brasil???, questionou o petista.

Ao ser confrontado por um repórter, que mencionou o crescimento maior registrado por outros países na América Latina, como Peru e Chile, Lula minimizou e disse que são ?pouquíssimos? países.

A economia brasileira tem crescido em média 2% ao ano durante o governo da presidente Dilma Rousseff, que tentará um novo mandato em outubro.

Lula, ainda de acordo com a reportagem, criticou a pressão da oposição e do mercado financeiro por fortes mudanças na política econômica. ?Tem gente que acha que nós precisamos, para derrubar mais a inflação, ter um pouco de desemprego. Nós não pensamos assim?, disse.

Principal fiador da eleição de Dilma Rousseff em 2010 e cabo eleitoral da petista nesta eleição, o ex-presidente afirmou que se a presidente for reeleita, apostará em concessões na área de infraestrutura e no investimento em ciência e tecnologia, para acelerar o crescimento da economia.

?Acho que a gente tem condições de recuperar capacidade do crescimento do Brasil, inclusive em parceria com o setor privado. As reformas que a gente tem que fazer são reformas mais pontuais.?

No mesmo dia em que o Datafolha divulgou pesquisa mostrando Dilma na liderança das pesquisas de intenção de voto, com 38%, o ex-presidente afirmou que a presidente "tem todas as condições de ser reeleita" pela forte criação de empregos durante seu mandato, entre outros feitos.

Ao falar sobre os protestos de jovens contra o atual sistema político, Lula disse que ?a desgraça de quem não gosta de política é que ele é governado por quem gosta?.

Fonte: Folha