Lula adota resposta padrão sobre crises em ministérios; veja

Lula recebe o título de doutor honoris em Pernambuco

O ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva adotou nesta sexta-feira, em visita ao Recife (PE), um mesmo padrão de resposta para diferentes denúncias de corrupção no governo federal. Questionado por jornalistas sobre as suspeitas de irregularidades em contratos firmados pelo Ministério do Turismo, Lula usou a mesma linha de raciocínio de seus comentários sobre a crise no Ministério dos Transportes: "Se houver irregularidade, ela deve ser investigada. Se alguém for culpado, deve ser punido".

Reportagem publicada na quarta-feira no jornal O Globo aponta que o Ministério do Turismo assinou três contratos, no valor total de R$ 52,2 milhões, com o Instituto Brasileiro de Hospedagem (IBH), ONG dirigida por César Gonçalves. O dirigente é envolvido em escândalos de mal uso de verba pública e alvo de ação do Ministério Público, que pede a devolução de R$ 480 mil. Gonçalves deixou o cargo na estatal Brasiliatur após uma série de denúncias durante a gestão do ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda (sem partido, ex-DEM), que renunciou após o escândalo do mensalão do DEM.



Na quinta-feira, já no Recife, Lula já havia dito que as investigações das denúncias de irregularidades no Ministério dos Transportes devem prosseguir e, se houver culpados, estes devem ser punidos. "Pune quem tem que punir e acabou", disse.

Segundo o ex-presidente, esta é a diferença entre um governo democrático e um com cerceamento à liberdade. Para Lula, instituições como o Ministério Público, a Polícia Federal e a Controladoria Geral da União garantem a transparência das investigações em curso. "Os governos pouco democráticos mandam tudo para debaixo do tapete", disse.

Lula fez as declarações em rápida conversa coma imprensa, ao sair do Palácio do Campo das Princesas, sede do governo de Pernambuco, em direção ao Teatro Santa Isabel. No teatro, o ex-presidente recebeu o título de doutor honoris causa concedido por três universidades públicas de Pernambuco.

Ao deixar o teatro, Lula falou sobre a possibilidade de o PR voltar de forma mais efetiva ao governo de Dilma Rousseff após a solução da crise no Ministério dos Transportes, comandado pela legenda. "Depois de separado o joio do trigo, aqueles que não forem culpados, podem voltar (ao governo)", disse Lula.

Do teatro, Lula seguiu para a Casa de Recepções Arcadia, onde o PT oferece um almoço para o ex-presidente. Estão presentes ao evento o prefeito do Recife, João da Costa, e seu antecessor e ex-padrinho político, João Paulo, que romperam relações após a posse do atual mandatário do município.

A queda do ministro dos Transportes

Uma reportagem da revista Veja do início de julho afirmou que integrantes do Partido da República teriam montado um esquema de superfaturamento de obras e recebimento de propina por meio de empreiteiras dentro do Ministério dos Transportes. O negócio renderia à sigla até 5% do valor dos contratos firmados pelo ministério sob a gestão da Valec (estatal do setor ferroviário) e do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit).

O esquema seria comandado pelo secretário-geral do PR, Valdemar Costa Neto. Mesmo sem cargo na estrutura federal, ele lideraria reuniões com empreiteiros e consultorias que participavam de licitações do governo no ramo. Pelo menos dois assessores diretos do então ministro, Alfredo Nascimento (PR), foram afastados dos cargos. Também deixaram suas funções o diretor-geral do Dnit, Luiz Antônio Pagot, e o diretor-presidente da Valec, José Francisco das Neves.

O PR emitiu nota negando a participação no suposto esquema e prometendo ingressar com uma medida judicial contra a revista. Nascimento, que também negou as denúncias de conivência com as irregularidades, abriu uma sindicância interna no ministério e pediu que a Controladoria-Geral da República (CGU) fizesse uma auditoria nos contratos em questão. Assim, a CGU iniciou "um trabalho de análise aprofundada e específica em todas as licitações, contratos e execução de obras que deram origem às denúncias".

Apesar do apoio inicial da presidente Dilma Rousseff, que lhe garantiu o cargo desde que ele desse explicações, a pressão sobre Nascimento aumentou após novas denúncias: o Ministério Público investigava o crescimento patrimonial de 86.500% em seis anos do filho do ministro, Gustavo. Diante de mais acusações e da ameaça de instalação de uma CPI, o ministro não resistiu e encaminhou, no dia 6 de julho, seu pedido de demissão à presidente.

Fonte: Terra, www.terra.com.br