Lula desiste de inaugurar obras inacabadas

Presidente cancelou viagem para inaugurar uma fábrica de dormentes em Pernambuco

Diante do risco de desgaste na imagem do governo e da ministra-chefe da Casa Civil e pré-candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, o Palácio do Planalto decidiu recuar da estratégia de inaugurar obras inacabadas. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cancelou viagem que faria nesta terça-feira (30) ao semiárido pernambucano, para participar da inauguração de uma fábrica de dormentes para dar suporte aos trilhos da Ferrovia Transnordestina, a 520 KM do Recife.

A pedido de assessores da Presidência, seguranças fecharam todo o canteiro de obras que Lula visitaria, incluindo o espaço onde será instalada a fábrica de dormentes. Funcionários das obras da ferrovia disseram à Agência Estado que a fábrica não está pronta. Em janeiro, numa visita a Paulista, em Pernambuco, o presidente afirmou em discurso que agora, em março, inauguraria a "maior fábrica de dormentes do mundo". Um engenheiro de segurança da Odebrecht, uma das empresas que integram o consórcio de construção da ferrovia, relatou que o Planalto foi informado com antecedência que antes de agosto não era possível inaugurar "nada" no canteiro das obras de Salgueiro. Ali ficarão a fábrica de dormentes, o espaço de solda de trilhos e uma usina de britagem.

A viagem seria a última de Dilma como ministra da Casa Civil ao Nordeste, região onde Lula tem os mais elevados índices de popularidade. Nos últimos dias, o presidente e seus assessores mais diretos avaliaram que a repercussão negativa das viagens para "inaugurar" obras inacabadas poderia desgastar a candidatura da ministra Dilma Rousseff, que estacionou nas últimas pesquisas de opinião. Os eventos poderiam ainda desgastar a imagem de "técnica austera e séria" que Dilma ganhou no comando da Casa Civil e colocar em xeque inclusive o rigor do governo em controlar o cronograma de obras.

Quem passou nesta segunda-feira (29) pela rodovia BR-116, que liga Salgueiro a Juazeiro do Norte, pode ver dois toldos montados para a visita do presidente numa área de terraplenagem, completamente vazia. Funcionários contaram ainda que as empresas deslocaram máquinas para perto dos toldos, que seriam ligadas no momento da visita.

Fonte: R7, www.r7.com