Lula diz que governo será "uma mãe" com royalties do pré-sal para os Estados

Lula voltou a comentar o marco regulatório do pré-sal, apresentado na segunda-feira

O presidente Luiz Inácio da Silva afirmou, nesta terça-feira (1º), que o governo agirá como uma ?mãe? para os estados no que diz respeito ao pré-sal. Lula comentou o discurso do governador do Espírito Santo, Paulo Hartung (PMDB-ES), na cerimônia de encerramento do 27º Encontro Econômico Brasil-Alemanha (EEBA), em que mencionou a reunião de domingo entre o presidente e governadores.

O presidente disse que o papel do governo ?é como um papel de uma mãe?, que tem que tratar todos ?com muito carinho? e ?não deixar faltar nada?. ?Jamais ia cobrir um filho para descobrir outro?, disse.

Após a cerimônia, em entrevista à imprensa, Lula voltou a comentar o marco regulatório do pré-sal, apresentado na segunda-feira. O presidente comentou a votação, pelo Congresso Nacional, em caráter de urgência.

?Já estamos há um ano trabalhando neste projeto, ele não é de agora, é de outubro do ano passado. (...) Agora, a bola é do Congresso Nacional. Quem sou eu, um humilde presidente, para ter interferência no debate. A urgência é para facilitar?, afirmou. ?Nós não podemos jogar fora essa oportunidade. A gente não pode nem ser precipitado nem ser lento.?

O governador do Espírito Santo, que está no grupo de estados que mais produzem petróleo, esteve na reunião de domingo, com Lula, em que pediu que o presidente concentrasse a regulamentação do marco regulatório em apenas um projeto e não estipulasse um prazo para a tramitação no Congresso - o caráter de urgência.

Durante anúncio do novo marco regulatório do pré-sal, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, disse que o governo entende que as riquezas da exploração do petróleo devem ser divididas entre todos os estados e municípios brasileiros, mas que "os estados com fronteira com os campos de petróleo do pré-sal terão tratamento diferenciado".

Lula assinou quatro projetos de lei que serão enviados ao Congresso em regime de urgência. A distribuição de royalties do pré-sal, alvo de desavença entre estados produtores e o governo, que queria acabar com a participação especial, vai ser feita pelo Congresso Nacional.

Meio ambiente

Durante o discurso, o presidente abordou o meio ambiente e a importância da discussão sobre o clima: ?Todos têm que se preocupar com a questão climática?.

Lula disse que é preciso que seja discutida uma maneira de os países pobres ?ganharem? com os créditos de carbono, mas que os ricos diminuam a emissão de gases. ?Hoje a questão climática não é mais de jovens. É de sobrevivência da humanidade. É de vantagem competitiva para que empresário?, disse.

Na segunda-feira, durante a cerimônia de lançamento do marco regulatório do pré-sal, um manifestante do Greenpeace subiu ao palco e mostrou uma faixa para a plateia com os dizeres: ?Pré-sal e poluição: não dá para falar de um sem falar de outro?. Depois, Lula recebeu a faixa.

No discurso e na entrevista concedida após a cermiônia, Lula anunciou ainda um novo modelo de hidroelétrica que está sendo desenvolvido pelo governo. "É uma engenharia que o mais radical ambientalista não vai reclamar", disse o presidente, que acresceu que a estrutura é semelhante a uma plataforma da Petrobras, "sem vestígio de obra".

País do século 21

Durante o discurso na cerimônia, Lula convidou os empresários alemães a ?fazerem uma reflexão sobre o Brasil? e afirmou que o país ?encontrou com seu destino?. ?O Brasil não quer ser mais o país do futuro?, disse.

O presidente voltou a mencionar a ?revolução da educação? e disse que se o século 19 foi da Europa, o século 20 foi dos Estados Unidos e da China, o Brasil ?vai ter que aprender a fazer a lição e ser o país do século 21?.

Fonte: g1, www.g1.com.br