Lula diz que imprensa foi "subserviente" em relação a Hillary

"A conversa é de ministro a ministro. Quando for o Obama eu converso com ele", afirmou

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva acusou nesta segunda-feira, 8, a imprensa brasileira de "subserviência" por sua postura em relação à recente visita ao País da secretária de Estado dos EUA, Hilary Clinton. Segundo Lula, repórteres brasileiros lhe perguntaram se conversaria diretamente sobre alguns assuntos com a visitante, o que ele repudiou por "uma questão de hierarquia".

"É engraçado. A imprensa perguntava: `o senhor vai tratar de tal assunto?"", afirmou Lula, após dizer que no passado os brasileiros eram tratados como se fossem "lixo". "Eu dizia: `quem vai tratar com ela é o ministro Celso Amorim (Relações Exteriores). Vou recebê-la numa deferência ao Celso Amorim, que me pediu para recebê-la. A conversa é de ministro a ministro. Quando for o Obama (presidente dos Estados Unidos, Barack Obama)eu converso com ele.""

Lula discursou em solenidade de assinatura de contratos de construção do Complexo Petroquímico do Estado do Rio de Janeiro (Comperj), em Itaboraí, na região metropolitana do Rio de Janeiro. Ele criticava o que chamou de subserviência no País e afirmou que o Brasil aprendeu a gostar de si mesmo.

Lula elogiou a Petrobrás porque no seu governo aumentou os investimentos de R$ 20 bilhões para R$ 85 bilhões anuais. Ele criticou o governo anterior, sem citar explicitamente o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, dizendo que no passado o País, ao mandar fazer plataformas petrolíferas no exterior, exportava empregos.

O presidente também respondeu aos adversários, que o criticaram pela terceira visita a uma obra que praticamente não começou - o Comperj, por enquanto, é apenas um grande descampado na zona rural de Itaboraí.

"A primeira coisa que tem que compreender é que adotei como filosofia de vida a ideia de que é o olho do dono que engorda o boi", disse o presidente. "Então, tenho que estar presente sempre para saber que as coisas que decidimos estão andando. E vocês sabem que, há pouco menos de um mês atrás, se a gente não fica esperto, esta obra estaria parada. A obra da Repar estaria parada, e a obra da Refinaria de Pernambuco estaria parada", afirmou o presidente, referindo-se à inclusão desses investimentos na lista de empreendimentos sob suspeita pela Comissão Mista de Orçamento.

De acordo com o presidente, se as obras fossem paralisadas 27 mil trabalhadores ficariam desempregados. "Agora, vamos fazer toda investigação que tivermos que fazer. Mas o que não pode é fazer uma investigação e ter como contrapartida 27 mil chefes de família no olho da rua".

Lula afirmou ainda querer que os pobres tenham carro. "Aqueles que acham que o pobre vai deixar de usar carro (se houver transporte coletivo de massa) são os que usam carro", disse Lula, referindo-se à classe média e arrancando aplausos do público. Para ele, o pobre deve ter automóvel nem que seja para "quando chegar o sábado botar o carro na porta da casa e ficar a família inteira lavando".

Na cerimônia, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, pré-candidata do PT à presidência, aproveitou o Dia Internacional da Mulher, comemorado nesta segunda, para se dirigir especificamente ao público feminino. "Acho que as mulheres estão ajudando a transformar o Brasil. Mas o Brasil está ajudando a transformar a vida das mulheres", disse a ministra, saudada aos gritos de "Dilma, Dilma" pelo público.

Fonte: Estadão, www.estadao.com.br