Lula escala "triunvirato" para fazer uma "blitz" nos novos ministros

Intenção é manter produtividade e evitar o uso da máquina pública

Preocupado em manter a equipe de governo focada nas realizações que pretende apresentar ao país quando deixar o cargo, o presidente Lula escolheu três assessores que, a partir de agora, vão cobrar dos ministros a execução das ordens presidenciais de agilizar este ou aquele projeto. Gilberto Carvalho, César Alvarez e Swedenberger Barbosa, mais conhecido como Berger, vão assumir a tarefa de acompanhamento direto dos projetos pelo gabinete presidencial, de forma a fazer a ponte entre o presidente e os ministros que ficarem até o fim do ano ao lado de Lula. A ideia do presidente é evitar que, por ser o último ano, os auxiliares percam o entusiasmo e deixem atrasar projetos. Afinal, o presidente deseja que o governo termine bem e corra paralelamente com a campanha da ministra Dilma.

A injeção de ânimo será dada antes do feriadão da semana santa, na posse coletiva dos ministros que assumem os cargos daqueles que saem para se dedicar à campanha. Lula dirá que não dá para perder o foco nas realizações do governo, fundamentais até para o sucesso dos candidatos que vão concorrer com a bandeira da continuidade nas mãos ? caso, por exemplo, da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff.

Ali, Lula pretende deixar mais claro ainda que não deixará o governo para fazer a campanha da ministra, até porque ele considera que Dilma terá mais sucesso se o governo estiver bem avaliado. Além disso, dizem os políticos mais ligados ao presidente, Lula considera que está na hora de Dilma assumir a frente da própria campanha para mostrar que é capaz de conduzir um processo sozinha, sem precisar o tempo todo recorrer ao presidente.

Dez nomes

Depois da posse dos novos ministros, a ideia de Lula é chamá-los um a um para dizer que a lealdade e a prestação de contas é devida a ele ? Lula ? e não aos antigos chefes, já que a maioria dos cargos será ocupada pelos atuais secretários executivos de cada pasta. O objetivo implícito é evitar que os novos ministros direcionem esforços para ajudar as campanhas dos antigos chefes e se esqueçam de realizar projetos prioritários em outros estados que não aqueles dos ex-ministros candidatos. Um exemplo disso são as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) no setor de Transportes fora do Amazonas, terra do atual ministro, Alfredo Nascimento, candidato a governador.

A lista de ministros que deixam o governo tinha ontem dez nomes, incluindo o do ministro da Justiça, Tarso Genro, que já saiu para se dedicar à pré-campanha no Rio Grande do Sul. Além dele, saem: Dilma Rousseff (Casa Civil), José Pimentel (Previdência Social), Altemir Gregolin (Pesca), Reinhold Stephanes (Agricultura), Edison Lobão (Minas e Energia), Geddel Vieira Lima (Integração Nacional), Hélio Costa (Comunicações), Henrique Meirelles (Banco Central) e Alfredo Nascimento (Transportes).

Representação contra Lula e Dilma rejeitada

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) rejeitou ontem mais uma representação de partidos de oposição contra o presidente Lula e a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. Na avaliação do ministro Aldir Passarinho Júnior, não houve propaganda antecipada durante inaugurações em Teófilo Otoni (MG). Na ocasião, Lula teria se referido a Dilma como ?candidata de fato? do PT a sua sucessão. O ministro, porém, entendeu que ?seu nome não foi sequer mencionado? e que ?não houve alusão ao seu trabalho, feitos, potencial ou qualidades?. Essa é a sétima ação contra Lula e Dilma rejeitada pelo TSE desde o ano passado.

Fonte: Correio Braziliense