Lula lamenta não ter fechado acordo sobre refinaria de petróleo com Venezuela

Lula disse que no máximo em 90 dias, os dois países devem retomar as negociações para um acordo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lamentou nesta terça-feira, após cerimônia de assinatura de acordos com o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, em Salvador (BA), que não tenha sido possível concluir acordo entre a Petrobras e a petrolífera venezuelana PDVSA para a construção de uma refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco.

Segundo o presidente, que comemorou a assinatura de vários acordos comerciais, ?só não foi possível concluir acordo entre Petrobras e PDVSA porque são duas moças muito bonitas, muito fortes que disputam milimetricamente cada problema?.

Lula disse que no máximo em 90 dias, os dois países devem retomar as negociações para um acordo não apenas para construção da refinaria, mas para a atuação da Petrobras na Faixa de Urinoco, no país vizinho.

?Se a construção da Muralha da China o mesmo tempo da Petrobras e da PDVSA, acabaria a humanidade e não teríamos o primeiro quilômetro da Muralha da China?, brincou o presidente.

A nova tentativa frustrada de chegar a um acordo entre os dois países já havia sido adiantada devido a uma vazamento da discussão entre os dois presidentes com o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, por meio do sistema de tradução montado para a entrevista coletiva, prevista para logo depois do debate.

A falha no sistema permitiu que os jornalistas acompanhassem as dificuldades da negociação realizada durante encontro reservado entre os três participantes em um hotel, em Salvador (BA).

O governo venezuelano deveria entrar com 40% dos US$ 4 bilhões previstos para a construção da refinaria, mas até agora só o governo brasileiro investiu na obra. Isto porque a Venezuela tem feito exigências, como o direito de comercialização no Brasil de petróleo importado da Venezuela. Mas as regras brasileiras determinam que só quem pode vender internamente é a Petrobras.

Por meio do sistema de som, foi possível identificar a decepção de Chávez. Ele lamentou que os dois países não tenham sido capazes de fazer um acordo. O presidente da Petrobras esclareceu que três pontos ainda dependem de mais discussões: custos de investimento, comercialização do produto e o preço do petróleo.

Chávez reclamou. "Lamentável não sermos capazes de fazer um acordo. Confesso que estou frustrado. A culpa é dos dois governos", afirmou.

Questionado, em entrevista coletiva logo após os discursos, sobre o que teria impedido novamente um acordo entre as duas petroleiras, Lula brincou ao comparar a negociação das empresas ao filme "Duelo de Titãs". O presidente, no entanto, disse estar confiante de um acordo em 90 dias.

Dilma

Na conversa, Lula ainda fez um comentário sobre a candidatura da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) à Presidência em 2010. "Se eu conseguir eleger a Dilma (Rousseff, ministra da Casa Civil), vou ser o presidente da Petrobras e você [José Sérgio] Gabrielli vai ser meu assessor", disse Lula ao atual presidente da estatal brasileira.

Fonte: g1, www.g1.com.br