Lula participa de último Natal com catadores como presidente

Lula participa de último Natal com catadores como presidente

Encontro foi realizado em São Paulo e contou com a presença de Dilma

Respeitando uma tradição que já leva oito anos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou, nesta quinta-feira (23), a exemplo do que fez desde que chegou ao Palácio do Planalto, da festa de Natal dos catadores de papel e material reciclável. O evento, realizado em São Paulo, contou este ano também com a presença da presidente eleita, Dilma Rousseff.

Emocionado desde o início do evento, Lula ouviu agradecimentos de catadores e representantes da população de rua, que celebraram a melhora de suas condições de vida nos últimos oito anos.

A coordenadora do Movimento Nacional da População em Situação de Rua, Maria Lúcia Santos, disse que Lula foi presidente que olhou com "sensibilidade" para grupos que até então eram ignorados e pareciam ser "invisíveis".

- O coração da população de rua está repleto de gratidão ao senhor.

Matilde Ramos, uma catadora que vive em Ourinhos, cidade do interior paulista, discursou em seguida e lembrou que, hoje, graças a uma lei em vigor desde 2006, as prefeituras municipais podem fechar contratos com cooperativas de catadores.

- Há 20 anos, vivíamos no lixo, mas hoje, graças ao convênio com a prefeitura e ao senhor, estou sendo paga pelo meu serviço.

Matilde levou Lula às lágrimas ao falar das condições dadas aos catadores para que possam se organizar e profissionalizar.

- O senhor tem noção do que fez pela nossa vida? Hoje, nós podemos ser reconhecidos como profissionais, como trabalhadores.

Ao assumir o microfone, Lula destacou o tratamento dado por seu governo aos catadores, com atenção, apoio e políticas de incentivo. Mais cedo, ele entregou um caminhão ao MNCR (Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis). Como exemplo, citou a presença de Luciano Coutinho, presidente do BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social), no evento de hoje, durante o qual foram também assinados vários convênios com o apoio da entidade, do Banco do Brasil e da usina de Itaipu.

- Quando se imaginou que o presidente do BNDES viria a uma reunião com catadores de papel e assinasse financiamento para eles? É só olhar o discurso das pessoas que falaram aqui. Essas pessoas, há pouco tempo, jamais imaginaram estar sentadas do lado de uma presidente da República. Essas pessoas aprenderam a falar porque aprenderam a ter consciência, passaram a entender que têm direitos, aprenderam a andar de cabeça erguida, porque catar papel não pode ser mais vergonha. Um morador de rua não é nem um caso perdido nem um caso de polícia. É um caso de amor, de paixão e de políticas públicas.

Em tom de despedida, o presidente garantiu ainda que, mesmo após deixar o governo, continuará a participar das festas de Natal dos catadores.

- Estou apenas deixando a Presidência da República. Mas, se vocês me convidarem, no Natal do ano que vem eu estarei aqui outra vez.

Dilma

Animada, Dilma lembrou os tempos de campanha e discursou de improviso por cerca de dez minutos. Antes, chegou a dançar e cantar uma música composta para ela por uma banda formada de representantes da população de rua.

Em sua fala, a presidente eleita prometeu que, a partir do próximo ano, já como presidente da República, repetirá o exemplo de Lula e participará de todas as celebrações de Natal realizadas pelos catadores.

- Assumo hoje o compromisso de, todo dia 23 de dezembro, estar aqui dando continuidade ao que fez o presidente Lula em seus oito anos de governo.

Dilma assegurou também que dará continuidade às políticas do atual governo e manterá as portas abertas aos catadores.

- Vou assegurar que a inclusão de vocês seja uma política permanente, de financiamento, apoio, assistência, integração ao serviço de educação e de saúde. Não descansarei enquanto eu não conseguir dar as melhores condições para que os catadores saiam do lixão, tenham sua profissão reconhecida, organizem cooperativas, tenham seus caminhões e máquinas e sejam capazes de ter renda suficiente para garantir uma vida digna a suas famílias.

Fonte: R7, www.r7.com