Lula vai admitir ter sido alertado sobre o mensalão

Lula responderá a um questionário elaborado pelo Ministério Público Federal sobre o mensalão petista

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai reconhecer pela primeira vez que ouviu do presidente do PTB Roberto Jefferson um alerta sobre o esquema de compra de congressistas da base aliada, segundo reportagem publicada, ontem, pelo jornal Folha de São Paulo. O reconhecimento consta na resposta ao questionário do Ministério Público Federal que consta do processo do mensalão.

Segundo a reportagem, Lula responderá que não conhece pessoalmente o publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza, acusado de ser operador do principal escândalo de corrupção do governo petista.

O presidente repetirá a versão que já deu em conversas reservadas sobre Valério. Dirá que o publicitário nunca esteve na Granja do Torto, em resposta a uma pergunta específica sobre um suposto encontro.

O mensalão, que consistia na compra de apoio político no Congresso, foi revelado em uma entrevista de Jefferson, então deputado pelo PTB-RJ, à Folha de São Paulo em junho de 2005.

Lula confirmará que ouviu de Jefferson em março daquele ano alerta sobre a existência do mensalão em reunião no Palácio do Planalto na qual estavam Aldo Rebelo e Walfrido dos Mares Guia, à época ministros das Relações Institucionais e do Turismo, respectivamente; Arlindo Chinaglia, então líder do governo na Câmara, e José Múcio, na época líder do PTB. O presidente afirmará que pediu a Aldo e Chinaglia uma investigação informal e que ambos responderam depois que a Câmara, por meio de sua Procuradoria, havia investigado a história e não obtivera provas do esquema.

Na primeira entrevista à Folha, Jefferson afirmou que Lula chorou quando ele o alertou sobre o mensalão e que disse "não ser possível".

Até hoje Lula evitou respostas sobre o alerta de Jefferson. Em entrevista em outubro de 2007, ele disse: "Não comento Roberto Jefferson". Indagado sobre o motivo da recusa, afirmou : "Não merece que eu faça um comentário" e "é um direito meu dizer que não quero comentar", disse.

No documento do Ministério Público, enviado para Lula em novembro e que até agora não foi respondido, o presidente é questionado se soube do mensalão por outra pessoa. É uma alusão a uma conversa entre o presidente e o então governador de Goiás, o tucano Marconi Perillo, em maio de 2004. Nesse encontro, Perillo teria dito a Lula que deputados do PSDB receberam oferta de ajuda financeira para migrar para partidos da base governista. Essa resposta foi debatida na Casa Civil. O mais provável seria Lula dizer que não se lembra, pois não teria sido usado o termo mensalão. O presidente dirá que só soube de detalhes do esquema de compra de apoio parlamentar após as revelações de Jefferson à Folha.

Fonte: Estadão