Queda de popularidade de Dilma Rousseff faz PT cancelar eventos

Queda de popularidade de Dilma Rousseff faz PT cancelar eventos

Partido reduz número de encontros para comemorar 10 anos da legenda na Presidência; Lindbergh interrompe caravana no Rio

A onda de protestos pelo país e a queda de popularidade do governo Dilma Rousseff, apontada pela última pesquisa CNI/Ibope, cancelaram eventos do PT. Dos dez encontros programados, com a presença da presidente e do antecessor Luiz Inácio Lula da Silva para comemorar 10 anos do partido na Presidência, a legenda fará apenas seis. Além disso, as caravanas do senador Lindbergh Farias, pré-candidato ao governo do Rio em 2014, sofreram um recuo estratégico e só deverão voltar ao ritmo normal em outubro, após análise dos efeitos causados pelas manifestações.

Principal entusiasta de um terceiro mandato do ex-presidente Lula, cuja proposta chegou a defender publicamente em plenário, o deputado federal Devanir Ribeiro (PT-SP) criticou a postura do partido.

? Nossa origem é da base e nós nos distanciamos da base. O PT não deve apenas se preocupar com a conjuntura internacional, com o PIB (Produto Interno Bruto). Tem que se preocupar com a base eleitoral ? afirmou o parlamentar, amigo do ex-presidente há pelo menos 40 anos.

Segundo o parlamentar, as manifestações provocaram perplexidade dentro do PT e também em outros partidos:

? Estamos todos perplexos. É o momento de refletir e analisar os prejuízos. Mas isso não é apenas com o PT. É também com o PMDB do Rio, o PSDB de São Paulo e até o PSB de Pernambuco, do governador Eduardo Campos (pré-candidato à Presidência). Há uma perplexidade geral. Os protestos nos pegaram de surpresa.

O sexto e último evento do PT em comemoração aos 10 anos no governo ocorreu na última quarta-feira, num hotel em Salvador. A previsão da legenda era de que, em 2013, fossem realizados mais quatro encontros deste tipo. Nos discursos, Dilma e Lula insistiram na necessidade de promover mudanças o mais rápido possível. Eles destacaram a implantação do financiamento público de campanhas como forma de atender a voz das ruas e combater a corrupção. Do lado de fora, houve protestos e o trânsito na região ficou interrompido por cinco horas.

O líder do PT na Câmara, deputado federal José Guimarães, afirmou que a prioridade da legenda no segundo semestre será fazer com que a presidente Dilma consiga cumprir os cinco pactos anunciados durante os protestos de junho. Os compromissos são responsabilidade fiscal e reforma política, além de melhorias nas áreas de saúde, transporte e educação.

? O segundo semestre para nós da bancada será fundamental, decisivo. É o momento de consolidar as medidas que o governo está tomando para melhorar os serviços públicos. Estamos afinando nossa viola para consolidar as nossas ações ? disse Guimarães.

O presidente nacional do PT, Rui Falcão, não quis dar entrevista. O argumento da executiva do partido, no entanto, é de que todas as forças estão concentradas apenas na aprovação da reforma política. Além disso, pré-candidatos da legenda aos governos estaduais estão aproveitando para recompor as alianças partidárias de olho nas eleições do ano que vem. O PT confirmou a realização do Processo de Eleição Direta (PED) que vai escolher o novo presidente da sigla para 10 de novembro.

Em março, a avaliação do governo Dilma foi de 63% de "bom/ótimo". Quatro meses depois, o índice caiu para 31%. No mesmo período, os que acham "ruim/péssimo" pulou de 7% para 31%. Setores do PT têm defendido o nome de Lula na disputa pelo Palácio do Planalto em 2014. O ex-presidente, porém, já descartou a possibilidade e defendeu a reeleição de Dilma.

Lindbergh interrompe caravanas no Rio

No Rio, Lindbergh mudou o rumo da pré-campanha. O senador interrompeu temporariamente as caravanas. A última realizada por ele foi em 6 de junho, em Campo Grande, na Zona Oeste. No projeto, o parlamentar percorreria os municípios do estado para ouvir as reivindicações de moradores. Desde o inicio dos protestos, Lindbergh também saiu de cena para evitar desgastes.

? Vamos esperar a poeira baixar. Queremos saber quais são os efeitos dos protestos. A avaliação do governo Dilma não é definitiva. Representa apenas o momento atual ? afirmou o presidente estadual do PT do Rio, Jorge Florêncio.

Lindbergh, por sua vez, diz que fará apenas uma caravana em agosto, em Volta Redonda e Barra Mansa, no Vale do Paraíba. O senador admite a redução do ritmo.

? É hora das filiações partidárias e da montagem das nominatas para as eleições de 2014. É hora das conversas nos bastidores, de montar o nosso time ? ressaltou o pré-candidato do PT.

Lindbergh é ex-aliado do governador Sérgio Cabral (PMDB), principal alvo dos protestos no Rio. Para petistas ouvidos pelo GLOBO, a intenção é convencer Dilma a se descolar de Cabral, o pior dos 11 governadores avaliados pela pesquisa CNI/Ibope, com apenas 12% de "ótimo/bom". Cabral apoia o vice-governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) à sucessão estadual.

? Dilma viu que, se ficar do lado de Cabral, vai afundar junto com ele. E é aí que o Lindbergh ganha força ? analisou um petista.

Fonte: O Globo