Marina critica Lula por declaração sobre decisões da Justiça Eleitoral

No discurso, ele criticou decisões judiciais como as multas que sofreu do TSE

A senadora Marina, pré-candidata do PV à Presidência, criticou nesta sexta-feira o presidente Luiz Inácio Lula da Silva por ele ter dito que juiz não deve interferir no debate eleitoral. "Vi com preocupação", disse a senadora.

"A necessária reforma política que nós precisamos fazer não é para colocar os políticos acima da Justiça. Aliás, é para ajudar a colocar a política nos trilhos da justiça econômica, social e da ética", disse ela, durante viagem a Minas Gerais.

Na noite de ontem, Lula participou de um ato político de apoio do PCdoB à pré-candidatura da ex-ministra Dilma Rousseff (PT). No discurso, ele criticou decisões judiciais como as multas que sofreu do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) por propaganda antecipada. Segundo ele, "não podemos ficar subordinados ao que um juiz diz que podemos ou não fazer".

Marina também fez referências ao caso mensalão. "Em função da ausência da reforma política, os partidos viraram máquinas de ganhar eleição. É só ver o que aconteceu no Congresso", acrescentou Marina. Ela já havia citado o mensalão na entrevista que dera horas.

A senadora não foi a única a criticar Lula pela declaração de ontem. Nesta sexta-feira, entidades que representam juízes e advogados divulgaram notas repudiando declaração.

O presidente nacional da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Ophir Cavalcante, chamou de "assustadora e incompatível com a responsabilidade do cargo" a afirmação de Lula.

Já o presidente Ajufe (Associação dos Juízes Federais do Brasil), Fernando Cesar Baptista de Mattos, lamentou a declaração de Lula. "Não é a primeira vez que comentários dessa natureza sobre decisões da Justiça Eleitoral são feitos pelo presidente", diz.

O presidente da AMB (Associação dos Magistrados Brasileiros), Mozart Valadares Pires, também criticou Lula. "O que o presidente precisa saber é que todos os cidadãos, independentemente do cargo que exercem, estão subordinados à legislação brasileira. E ele, mesmo como presidente, não tem o direito de infringir a lei eleitoral", afirma o juiz.

De manhã, o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Gilmar Mendes, disse que hoje "todos nós estamos subordinados à Constituição e à lei".

Fonte: Folha Online, www.folha.com.br