Ministério Público investiga suposto desvios de cooperativa para campanhas do PT

Ministério Público investiga suposto desvios de cooperativa para campanhas do PT

Segundo reportagem de revista, total desviado chega a R$ 100 milhões

 O Ministério Público de São Paulo investiga suposto desvio de dinheiro da Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo (Bancoop) para o caixa de campanhas eleitorais do PT. Detalhes da investigação foram publicados na reportagem de capa da revista “Veja” desta semana. Muitas obras da copperativa estão paralisadas, como a do prédio em que a professora Helena de Campos comprou um apartamento de três quartos, de 77 metros quadrados, por R$ 134 mil.

Ela terminou de pagar em 2005, mas a obra já havia parado. “Já me desiludi há muito tempo. Eles não vão terminar. É uma desilusão. Você tem um sonho e esse sonho é quebrado”, disse Helena. Em 2007, denúncias contra a Bancoop provocaram a abertura de um inquérito policial. Um levantamento do Ministério Público de São Paulo mostrou que pelo menos 3 mil famílias foram vítimas de um esquema que teria desviado mais de R$ 100 milhões dos cofres da cooperativa.

Dinheiro que deveria ter sido usado na construção de apartamentos que nunca ficaram prontos. Essa denúncia é tema da reportagem de capa da revista “Veja” desta semana, que aponta o atual tesoureiro do PT como pivô de um esquema de desvio de dinheiro. As irregularidades denunciadas pela revista têm origem numa quebra de sigilo da Bancoop. Pelo esquema mostrado pela revista, a cooperativa recebia notas frias de empresas e pagava os serviços que não eram prestados com cheques nominais.

As empresas descontavam os cheques no caixa do banco e entregavam o dinheiro para dirigentes da Bancoop. Um deles, João Vaccari Neto, na época também presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, é hoje tesoureiro do PT. “Constatamos que pelo menos 30 milhões foram sacados na boca do caixa pela Bancoop. Há evidências de que o dinheiro foi desviado para campanhas eleitorais do Partido dos Trabalhadores a partir de 2002”, disse o promotor José Carlos Blat.

Segundo a revista “Veja”, em 2004, a Bancoop captou no mercado R$ 43 milhões, sendo 85% de fundos de pensão de estatais, alguns deles controlados pelo PT. “Esse dinheiro simplesmente sumiu e muitos prédio sequer foram construídos”, disse o promotor. João Vaccari Neto divulgou uma nota em que afirma sempre ter agido com transparência e disponibilizado documentos para a promotoria. Diz que nunca foi alvo de processo civil ou criminal e não foi ouvido pela revista.

O advogado da Bancoop, Pedro Dallari, rebate as acusações. “São denúncias totalmente inconsistentes, tanto que até hoje não foi proposta nenhuma ação judicial pelo Ministério Público Criminal relativamente a este assunto.” O presidente do Partido dos Trabalhadores, o ex-senador José Eduardo Dutra, também contestou as denúncias. "É uma acusação antiga, são acusações falaciosas, que já saíram na impresa e que voltam agora nesse ano eleitoral para atacar o PT." O Ministério Público acredita que em três meses terá encaminhando a denúncia à Justiça.

Fonte: g1, www.g1.com.br