Ministra Dilma Rousseff aparece de novo visual durante solenidade em Brasília

O presidente Lula destacou o fato de a ministra estar na cerimônia sem a peruca.

Em sua primeira aparição pública sem a peruca que a acompanha desde o início das sessões de quimioterapia para tratar um câncer no sistema linfático, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, se emocionou nesta segunda-feira (21) ao falar de uma amiga da época do combate à ditadura militar. A amiga de Dilma, Inês Etienne Romeu, foi uma das 16 agraciadas com o Prêmio Direitos Humanos 2009. No mesmo evento, está sendo lançado o 3° Programa Nacional de Direitos Humanos.

O presidente Lula destacou o fato de a ministra estar na cerimônia sem a peruca. ?Vocês não perceberam que a Dilma está de cabelo novo, é o cabelo normal dela, que voltou a se apresentar em público. Acho que foi uma homenagem a Inês, porque eu estou pedindo pra Dilma tirar peruca já faz um mês e ela não tirava?.

No mês de abril, Dilma anunciou à imprensa que estava com um câncer no sistema linfático. Em maio, a ministra admitiu publicamente que estava usando uma ?peruquinha básica? devido às sessões de quimioterapia a que estava sendo submetida. Em setembro, a própria ministra anunciou que estava curada, mas continuou a usar o acessório até a semana passada.

Além da falta da peruca, Dilma chamou a atenção na cerimônia ao se emocionar já no início de seu discurso. A ministra falou por cerca de 10 minutos sobre a época da ditadura militar, contra a qual lutou. Uma amiga de Dilma desde aquela época foi agraciada com o prêmio na categoria ?Direito à Memória e à Verdade?.

?É sempre doloroso lembrar de todos que foram para a cadeira e de todos que foram de uma forma de outra barbaramente torturados. Muitas vezes tiraram dessa pessoas a dignidade e muitas vezes a vida?, disse a ministra.

Segundo contou Dilma, sua amiga Inês foi presa em São Paulo em 1971 pela ditadura. Foi transferida para o Rio de Janeiro e submetida a violência em cárcere privado. Inês foi beneficiada pela anistia em 1977 e dois anos depois de deixar a prisão denunciou tortura e o desaparecimento de outras pessoas durante o regime.

Possível candidata à Presidência

No evento, Lula afirmou que Dilma é ?possível candidata? à sua sucessão. Ao descrever a luta das pessoas que lutaram contra a ditadura, o presidente fez a exaltação à ministra. Ele lembrou ter estado há algum tempo com Dilma numa sede do exército em São Paulo na qual a ministra esteve presa durante o regime militar. Neste momento, Lula falou da tortura sofrida pela ministra e da sua condição de pré-candidata.

?Se alguém prendeu a Dilma, se alguém torturou a Dilma, achando que ali tinha acabado a luta dela, eu digo que ela é hoje uma possível candidata à Presidência da republica deste país?, disse Lula, sendo interrompido por aplausos das centenas de pessoas presentes à cerimônia.

Fonte: g1, www.g1.com.br