Morre testemunha de caso do ex-deputado Wallace Souza

Souza está preso desde o último dia 9 num batalhão da Polícia Militar

A Polícia Civil do Amazonas investiga a quarta morte de testemunhas que prestaram depoimento no caso ex-deputado estadual Wallace Souza (sem partido) acusado de encomendar a morte de rivais para depois mostrá-los em seu programa de TV em Manaus.

Souza está preso desde o último dia 9 num batalhão da Polícia Militar. Na unidade também está preso Rafael Souza, seu filho, acusado de envolvimento na mesma organização criminosa. Os dois sempre negaram envolvimento com as mortes. O advogado deles não foi localizado ontem.

No último sábado foi assassinado o ex-policial militar Juarez dos Santos Medeiros. Ele foi atingido por oito tiros disparados por um motoqueiro.

Também foram mortas em situações semelhantes as testemunhas Júnior Melo Barbosa, em janeiro, com 13 tiros, Marcos Paulo Silva, em março, com quatro tiros, e Ely Carlos Silva, em setembro, com oito tiros.

Há três meses, Medeiros prestou depoimento na Polícia Federal no inquérito que apurou um plano --não concretizado-- para matar uma juíza federal. Medeiros era apontado como o homem que matou o suposto pistoleiro Luiz João de Souza em 2008. A morte do pistoleiro teria sido encomendada por ele não ter aceitado o plano contra a juíza.

Para a polícia, a morte de Medeiros é "queima de arquivo". "Estão sendo eliminados prováveis informantes que os incrimine", disse o delegado-geral da Polícia Civil do Amazonas, Mário César Nunes.

O ex-deputado é suspeito de liderar uma organização criminosa e encomendar mortes de rivais para aumentar a audiência de seu programa, chamado "Canal Livre". Segundo a investigação, a equipe do programa chegava ao local de crimes violentos antes da polícia, porque o próprio apresentador havia ordenado os assassinatos.

Ao menos 17 mortes são atribuídas ao grupo. Souza, que nega todas as acusações, também é suspeito de tráfico de drogas.

No início do mês, a Assembleia Legislativa do Amazonas cassou seu mandato de deputado por quebra de decoro parlamentar. Os deputados consideraram que, mesmo sem provas materiais para os crimes atribuídos ao apresentador, Wallace expôs a Assembleia ao constrangimento.

Fonte: Folha Online, www.folha.com.br