""Não posso aceitar o que Serra fez comigo"", afirma José Dirceu

Ex-deputado se queixou por ter sido apresentado como ""chefe de quadrilha"" em programa do PSDB

O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu afirmou nesta segunda-feira, em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, que foi vítima de ?linchamento? por parte do presidenciável tucano José Serra durante a campanha eleitoral. A entrevista vai ao ar nesta segunda-feira, às 22h.

Réu no processo do mensalão, suposto esquema de pagamento por apoio de parlamentares que teria funcionado no primeiro governo Lula e que será julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o ex-deputado petista se queixou por ter sido apresentado ?de maneira covarde? na propaganda do PSDB como ?chefe de quadrilha? - numa tentativa de colar sua imagem à da então candidata Dilma Rousseff (PT), eleita ontem com 56% dos votos.

Segundo o ex-ministro, a estratégia tucana não rendeu votos ao candidato. O PT, na época, chegou a pedir direito de resposta, mas não foi atendido pela Justiça Eleitoral.

Dirceu afirmou também que foi surpreendido com o pronunciamento do ex-governador paulista após a apuração. O tom da despedida, disse ele, foi marcado por ressentimento inclusive contra seu próprio partido. ?O discurso do Serra foi pequeno?, disse Dirceu, para quem a ausência do senador eleito Aécio Neves (PSDB-MG) no discurso de despedida mostra a intenção de expulsar o ex-governador mineiro do partido.

A declaração acontece um dia após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmar, após votar em São Bernardo do Campo (SP), que o presidenciável tucano saía ?menor? da eleição por causa do que classificou de campanha ?agressiva? contra a sua candidata à sucessão.

Para Dirceu, ao explorar temas religiosos ao longo da campanha para supostamente prejudicar a adversária petista, Serra perdeu apoio de setores mais esclarecidos do eleitorado.

Mais tarde, em entrevista concedida ao fim do programa, Dirceu reiterou as críticas e refutou o discurso do tucano segundo o qual a aliança petista colocava em risco a democracia. ?Ele está vivendo em outro País.?

Dirceu afirmou, no entanto, que não considera que a derrota sofrida nas urnas signifique a ?morte? política do ex-governador.

?Essa questão religiosa, é muito grave que ele tenha trazido isso. A maneira como se tratou a questão da interrupção de gravidez, do aborto, mais grave ainda, mas isso não significa que eu reconheça que ele lutou e batalhou até o final?, disse.

Fonte: g1, www.g1.com.br