"Nós somos seres normais, um bandido não é normal", diz Lula em visita a Mangueira

Lula disse que o Rio de Janeiro vem sofrendo um "desmonte" desde quando deixou de ser a capital federal

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse, nesta quarta-feira (28), em entrevista no Rio de Janeiro, que "um bandido não é normal" e que é "ilusão" achar que é fácil enfrentar grupos criminosos.

"Nós somos seres normais, um bandido não é normal. Então achar que é fácil enfrentar uma quadrilha organizada é apenas ilusão. É difícil, é preciso investimento na inteligência. É preciso melhorar o salário", disse.

Ao lado do governador do estado, Sérgio Cabral (PMDB), ele afirmou que pediu ao ministro da Justiça, Tarso Genro, para que se reúna com o peemedebista para estabelecer uma "programação de investimentos no Rio" e que o estado tem que ser tratado de forma especial por ser, segundo Lula, "uma caixa de ressonância para o mundo inteiro".

"O importante é que o governador tem vontade, o presidente tem vontade, o ministro tem interesse. Se a gente juntar os esforços e não ficar discutindo merreca de dinheiro a gente pode resolver esse problema com mais facilidade?, disse.

"Irresponsabilidade"

Antes, no discurso de inauguração de um ginásio na Vila Olímpica da Mangueira, Lula disse que o Rio de Janeiro vem sofrendo um "desmonte" desde quando deixou de ser a capital federal e que não é possível culpar o governador e o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB), pelos problemas atuais.

"Foram surgindo comunidades cada vez mais pobres, que antes eram de dez pessoas, depois passou para quinze, depois para duas mil, trinta mil, cinqüenta mil, e aí deixou de ser uma pequena comunidade para ser um baita de um problema social para quem governa a cidade do Rio de Janeiro. Então, seria irresponsabilidade o governo federal dizer que é um problema do Sérgio Cabral. Seria irresponsabilidade o governo federal dizer que é um problema do Eduardo Paes", disse.

E continuou com uma metáfora. "Não sou daqueles que só aparecem para comer na hora em que o prato está feito. Eu sou daqueles que ajudam a fazer o prato." Ele afirmou depois que, em 2016, gostaria de ver o Rio voltando a ocupar as primeiras páginas dos jornais com notícias de medalhas para o Brasil. Em 2016, o Rio de Janeiro irá sediar os Jogos Olímpicos.

IPI e dólar

Em entrevista coletiva após o discurso, o presidente falou sobre a taxação do investimento estrangeiro na Bolsa de Valores. "Não queremos criar uma bolha no Brasil porque depois quem fica com prejuízo é a parte mais pobre", justificou.

Questionado sobre se o governo irá ou não prorrogar a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para eletrodomésticos da linha branca (fogões, geladeiras e máquinas de lavar), que termina no próximo sábado (31), o presidente desconversou.

"Não posso dizer se vai manter ou acabar. É uma avaliação do Ministério da Fazenda. Precisamos de todas as medidas necessárias para retomar crescimento. (...) O ministro [Guido Mantega] vai tomar decisão na hora certa."

Fonte: g1, www.g1.com.br