Obama congela salários de mais de US$ 100 mil em primeiro ato contra crise nos EUA

A economia americana comporta atualmente um contingente de 2,6 milhões de desempregados, o pior número desde 1945

O presidente recém-empossado dos Estados Unidos, Barack Obama, decidiu nesta quarta-feira congelar os salários dos funcionários da Casa Branca, da assessoria Nacional de Segurança e da Secretaria de Comunicação que tenham remuneração acima de US$ 100 mil (R$ 235 mil aproximadamente) no ano.

A medida é a primeira tomada por Obama depois de se reunir com a equipe de assessores econômicos para discutir o plano de resgate proposto de US$ 800 bilhões. O anúncio do congelamento foi feito junto com a posse da nova equipe, em Washington.

"Durante esse período de crise econômica, as famílias estão passando por necessidade, então o mesmo deve ocorrer em Washington", disse Obama que pediu compreensão dos funcionários atingidos pela medida.

No anúncio da equipe, o presidente reafirmou os compromissos da equipe da transição ao afirmar que não irá tolerar a presença de lobistas no governo. "Quero garantir que o governo estará de acordo com os interesses da população. A responsabilidade da nossa administração é essa. Nossas informações não serão restritas e nós contaremos a participação de todos, pois o governo não tem todas as respostas", disse.

Crise

No seu discurso de posse, nesta terça-feira (20), Obama pediu aos americanos que tenham esperança, mas alertou que a solução para a crise econômica não será fácil ou rápida.

"Hoje eu digo a vocês que os desafios que enfrentamos são reais. Eles são sérios e muitos. Eles não serão encontrados de maneira fácil ou em um curto período de tempo", disse Obama, que assumiu a Casa Branca sob grandes expectativas para solucionar a crise financeira americana e retomar o crescimento econômico.

A crise financeira, de fato, promete ser das piores que o país já enfrentou, tenha ou não um século --a Grande Depressão de 1929 completa 80 anos neste ano.

O CBO (Escritório Orçamentário do Congresso, na sigla em inglês) informou neste mês, com base em dados do Departamento do Tesouro, que "o acentuado declínio no mercado imobiliário doméstico no país [...] levou os EUA a uma recessão que provavelmente será a maior e mais profunda desde a Segunda Guerra Mundial".

Para o CBO, a recessão irá prosseguir ao longo deste ano. Uma lenta recuperação --com um crescimento de apenas 1,5%-- só deve começar a se fazer sentir em 2010. Antes dessa fraca recuperação, o PIB (Produto Interno Bruto) dos EUA deverá ter neste ano uma contração de 2,2%.

A economia americana comporta atualmente um contingente de 2,6 milhões de desempregados, o pior número desde 1945. O país atravessa uma recessão iniciada em dezembro de 2007 --naquele mês, a economia atingiu um pico e, a partir dali, passou a declinar, segundo o Nber (Escritório Nacional de Pesquisa Econômica, na sigla em inglês).

Fonte: Folha Online, www.folha.com.br