Obama e Lula defendem ideias reformistas para crise

Obama e Lula defendem reformas no sistema financeiro como saída para a crise

No encontro entre os presidentes Barack Obama, dos Estados Unidos, e Luiz Inácio Lula da Silva, do Brasil, na Casa Branca, os dois defenderam reformas no sistema financeiro para restabelecer a confiança na economia.

Em coletiva de imprensa conjunta após o encontro, Obama disse que é importante que todos os países do mundo busquem saídas para manter a demanda, mas também que é preciso "fazer uma reforma no sistema financeiro".

O presidente norte-americano afirmou que todos os países têm de manter uma união na regulamentação do sistema ara que essa crise não volte a ocorrer. "Vamos agir de maneira agressiva para que os riscos do sistema financeiro de hoje não existam mais no futuro", disse.

Lula por sua vez, disse que a "crise econômica pode ser resolvida por decisões políticas". Para ele, é preciso "restabelecer a credibilidade e a confiança da sociedade no sistema financeiro", "fazer com que o crédito volte a fluir normalmente dentro de cada país" e "facilitar o fluxo comercial entre as diferentes nações".

Para Lula, um dos principais problemas enfrentados pelos países emergentes é a fuga de capitais em direção aos Estados Unidos. Essa questão, acha Lula, tem de ser discutida no G20, grupo de países que busca saídas para a crise global.

"O Brasil foi o último a entrar na crise e tenho certeza que será o primeiro a sair dela. Não temos problema no sistema financeiro: só temos problema com exportação e crédito porque o dinheiro desapareceu. É urgente restabelecer a normalidade do crédito no mundo", afirmou Lula.

Para Obama, caberá aos países, de forma independente, adotar as medidas necessárias, mas a abordagem tem de ser "completa". Segundo ele, a opinião mundial é muito importante na definição dos próximos passos para o combate a crise que começou nos Estados Unidos.

Sérgio Dávila: encontro durou mais que

o esperado e mostrou afinidade entre os dois

Obama vem defendendo ações coordenadas no combate à crise em encontros com diferentes lideranças mundiais - um apelo já feito pessoalmente aos chefes de governo do Japão (a segunda maior economia do mundo) e do Reino Unido (mais próximo aliado dos EUA na Europa), únicos dois líderes a anteceder Lula em visitas à Casa Branca.

"Estamos em um transatlântico que está vazando e temos que consertar o vazamento e fazer a economia voltar a funcionar. São dois pontos principais: restabelecer o crédito e confiança das pessoas", reforçou Lula.

Durante a coletiva, Lula voltou a fazer piada com o problema enfrentado por Obama, que assumiu em meio à crise financeira: "Com apenas 40 dias de mandato, ter um pepino como esse a crise... Eu não queria estar na pele dele", disse Lula. "Ele está parecendo minha mulher falando", respondeu Obama, brincando

Fonte: AE/G1