Palanques duplos dificultam entrada de Lula na campanha

Enquanto tenta equacionar pedidos de apoio nos Estados, presidente chega a acordar de madrugada

O fato de a candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, ter o apoio de dois, às vezes três candidatos a governador em alguns Estados é o o maior entrave para que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva entre de vez na campanha eleitoral.

Levantamento feito pela secretaria nacional de Organização do PT no dia 30 de junho ao qual o iG teve acesso contabiliza 46 palanques para Dilma nos 27 Estados da federação, média de 1,7 por Estado. Se para a candidata o número é motivo de otimismo, para Lula é uma fonte de dores de cabeça.

?A Dilma pode ter mais de um palanque em determinados Estados. Ela pode dizer que está recebendo apoio de mais de um candidato e não pode impedir ninguém de apóia-la. Mas com o Lula é diferente. Como ele vai explicar que apoia dois nomes, rivais, na mesma eleição??, questionou um dirigente petista.

Um exemplo de como os múltiplos palanques de Dilma têm atrapalhado a movimentação eleitoral do presidente aconteceu no dia 16 de junho, em Manaus. O ex-ministro dos Transportes de Lula, Alfredo Nascimento (PR), é candidato ao governo, em segundo lugar nas pesquisas. O líder é o governador Omar Aziz (PMN). Ambos apoiam Dilma e esperam contar com o apoio de Lula.

?Ninguém dá muita importância para o Amazonas (que tem cerca de 2 milhões de eleitores, apenas 1,5% do eleitorado nacional) mas se jogarmos direitinho lá podemos chegar a 80%, colocar 1 milhão de votos à frente do (José) Serra (candidato do PSDB) e diminuir a vantagem dele em São Paulo?, disse um integrante da coordenação da campanha de Dilma.

O anúncio da viagem de Lula a Manaus provocou uma queda de braço entre Nascimento e Aziz. O governador queria levar o presidente à inauguração de um hospital construído pelo governo estadual. O ex-ministro pedia que Lula fosse vistoriar uma obra do Ministério dos Transportes no porto de Manaus.

Para não contrariar ninguém, Lula esquivou-se dos dois candidatos e limitou sua agenda a um encontro com o presidente do Peru, Alan Gacía. ?Isso só serviu para empurrar o problema com a barriga. Vai chegar a hora em que os dois vão cobrar e o Lula não vai ter como se esquivar?, disse um dirigente petista.

Ansiedade

Segundo coordenadores da campanha de Dilma, Lula ainda não conseguiu equacionar o problema. Nas palavras de um assessor da campanha, o presidente está ?babando? de vontade de entrar de cabeça na campanha. Enquanto isso, participa do jeito que pode.

Nas últimas duas semanas, ele madrugou para participar de gravações do programa de TV de Dilma. Na sexta-feira, dia 25, participou às 6h de uma sessão de fotografias ao lado da candidata, que servirão para estampar os panfletos e painéis da campanha.

Além dos palanques duplos, Lula tem outro fator de limitação, o horário de expediente que, no entendimento da Justiça Eleitoral, é das 8h às 18h de segunda a sexta-feira. Por isso às vezes acorda às 5h para gravar das 6h às 7h45.

A previsão dos coordenadores da campanha de Dilma é que Lula comece a participar da campanha na segunda quinzena de julho, depois do giro que está fazendo no continente africano. Para evitar desavenças entre os candidatos aliados, Lula irá primeiro a São Paulo e Minas Gerais, onde não há dúvidas sobre quem são os candidatos apoiados pelo governo.

Fonte: IG