Pesquisa aponta que partidos quase não se diferenciam e pouco tentam levantar bandeiras

No resultado, segundo os pesquisadores, há também falta de informações claras e objetivas sobre o que pensam, fazem e propõem.

O Observatório da Comunicação Institucional (OCI) afirmou em pesquisa inédita que os partidos políticos brasileiros têm graves problemas de comunicação. Especialistas consideram pequena a diferença entre os discursos das 32 siglas do país. No resultado, segundo os pesquisadores, há também falta de informações claras e objetivas sobre o que pensam, fazem e propõem.

Com sede no Rio de Janeiro, o OCI não tem fins lucrativos ou vinculação partidária. O estudo “Leitura informal sobre o discurso institucional dos partidos políticos brasileiros” reuniu textos de apresentação dos partidos na internet, entre 19 de agosto (início da propaganda eleitoral gratuita) e 10 de setembro, e criou “nuvens de palavras” por meio de um software. Elas mostram, visualmente, quais são os termos mais usados.

O resultado indica que, muitas vezes, o que diferencia as legendas são as personalidades que elas exaltam, como Getúlio Vargas, Luiz Inácio Lula da Silva, Paulo Maluf, Eymael e Paulinho da Força. “As bandeiras ficam em segundo plano”, diz Cristiano Henrique Ribeiro dos Santos, especialista em opinião pública e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Ele foi o responsável pela análise dos discursos.

De maneira geral, os partidos evitam falar sobre a sua estrutura, mostrar quais são os seus compromissos e ideologias e em quais projetos votaram contra ou a favor, de acordo com o estudo. “Falta transparência. O eleitor tem o direito de conhecer o que está por trás dos candidatos. A divulgação de informações não é papel apenas da imprensa”, afirma Ribeiro dos Santos.

Para o professor, o foco em candidatos e figurões é reflexo da própria estrutura política no Brasil. “Desde o Império e o coronelismo, na República, as personalidades estão no centro. Agora, dentro da lógica da democracia, os partidos fazem poucos esforços para construir uma identidade.”

Observando mais de perto as ideias em destaque nos textos dos partidos, é possível separá-los em alguns grupos, como os cristãos, ecológicos, trabalhistas, liberais, os de centro-esquerda. Mas, mesmo dentro de cada grupo, as diferenças são pequenas, de acordo com Santos.

Pouca atenção à internet
A pesquisa revela que os partidos não se empenham em organizar e simplificar o acesso às informações disponíveis na internet, segundo Manoel Marcondes Machado Neto, diretor-presidente do OCI e coordenador do levantamento, além de professor associado da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).

O pesquisador explica que foram coletados textos dos sites dos partidos, na Wikipédia e nos seus perfis no Facebook e no LinkedIn, porque são estas as principais fontes de consulta dos eleitores. Na TV e no rádio, o tempo é dedicado, principalmente, aos candidatos, e não às ideias dos partidos.

“Encontramos websites sem informação institucional relevante ou, por outro lado, prolixos, além de sites de curta vida só para a eleição, do tipo ‘candidatofulano.com’, e textos ‘sobre si’ na Wikipédia abandonados à própria sorte, quando sabemos que é preciso monitorar constante e permanentemente ‘o que dizem de nós mesmos’ na rede”, diz Marcondes Neto.

Para Carolina Terra, especialista em mídias sociais e professora visitante da Universidade de São Paulo, "é muito fraco o cuidado que os partidos têm com a sua presença no digital". Ela diz que, além de produzir conteúdos institucionais, também é preciso olhar o que se fala sobre a instituição na rede, mesmo em sites que não são domínio da legenda, como a Wikipédia.

 "Os partidos perdem a oportunidade de conversar com os eleitores e de construir uma marca forte ao longo de todo o ano, não apenas durante as eleições. E de construir uma imagem que vá além das personalidades. Para os eleitores, isso seria muito importante, porque ajudaria a tomar decisões melhores", afirma.

 

Clique aqui e curta a página do meionorte.com no Facebook

Fonte: G1