CPI: Perillo divulga gravações entre Cachoeira e ex-vereador

Governo divulgou diálogo para mostrar que menção a assessor foi indevida

O governador de Goiás, Marconi Perillo, do PSDB, divulgou novos trechos de gravações de conversas telefônicas sobre a venda da casa dele, em Goiânia. Perillo afirma que não sabia do envolvimento do bicheiro Carlinhos Cachoeira na negociação.

O assunto tem sido discutido pela CPI que investiga as relações de Cachoeira com políticos e empresas.

Lúcio Fiúza, secretário especial do governo de Goiás, pediu demissão nesta quarta (7) alegando motivos particulares. Numa gravação da Polícia Federal, divulgada nesta quarta (6) pelo Jornal Nacional, Carlinhos Cachoeira menciona o nome de Fiúza numa conversa sobre a venda da casa de Perillo.

- Cachoeira: cê vai lá, chama o Lúcio. O Lúcio, você conversa com ele. "Ô, Lúcio, é que eu vendi lá, então tô vendendo mobiliada já, por dois e tanto".

Em outras duas gravações feitas pela Polícia Federal, divulgadas pelo governo de Goiás, o nome de Lúcio Fiúza é novamente citado.

O bicheiro conversa com Wladimir Garcez, ex-vereador do PSDB. Os dois combinam uma estratégia para enganar Walter Paulo, que seria o comprador final da casa. Cachoeira pede para Garcez fazer uma ligação, na frente de Walter Paulo, fingindo que está falando com Lúcio Fiúza.

- Cachoeira: Você vai falar: oh, seu lúcio, tô aqui com... O governador não tá aí, né? Tô aqui com o professor Walter, tô fechando com ele aqui, ele ofereceu tanto.

Uma hora depois, Garcez conta a Cachoeira que está conversando com Walter Paulo e fala em valores.

- Cachoeira: Quanto?

- Wladimir Garcez: Uai, Carlinhos, ele mandou, deixa eu ver aqui... Foi um e quinhentos em dinheiro e quinhentos mil em gado, sabe? Mas aí eu vou conversar pessoalmente com o doutor Lúcio, que esse trem por telefone é ruim demais.

O governador Marconi Perillo disse que havia vendido a casa por R$ 1,4 milhão.

Em nota, o governo de Goiás afirma que, com a divulgação dessas gravações, pretende mostrar que o nome de Fiúza foi usado indevidamente e que o grupo agiu sem o conhecimento do governador, que jamais soube da participação de Cachoeira no negócio.

Ainda segundo a nota, não cabe ao governador responder sobre as conversas de Carlinhos Cachoeira.

As gravações mostram que as conversas foram feitas em julho ou seja, depois que o governador já tinha recebido pela venda da casa.

Marconi Perillo declarou que recebeu o pagamento em três cheques, em março, abril e maio.

"As contradições estão se avolumando tanto, que se torna inevitável uma acareação envolvendo o governador e os personagens deste sinistro, inexplicável, repleto de contradições, episódio", afirmou o senador Randolfe Rodrigues (AP), líder do PSOL e integrante da CPI.

Fonte: G1