PMDB racha na disputa pela liderança do partido no Senado e na Câmara

Não há consenso sobre os nomes que vão ocupar as lideranças

Maior partido em tamanho no Congresso, o PMDB sofre um racha interno provocado por peemedebistas que disputam as lideranças do partido na Câmara e no Senado. Enquanto a sigla está unida em torno das candidaturas do senador Renan Calheiros (PMDB-AL) e do deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) para as Presidências das duas Casas, não há consenso sobre os nomes que vão ocupar as lideranças.

Deixado de escanteio da liderança do governo no ano passado, Romero Jucá (PMDB-RR) disputa o cargo de líder do PMDB no Senado com Eunício Oliveira (PMDB-CE). Jucá ameaça levar a decisão para o voto depois que o partido lhe ofereceu a segunda vice-presidência do Senado - mas o peemedebista deseja voltar à liderança, cargo com maior visibilidade e atuação.

Eunício diz ter o apoio de Renan e da cúpula da sigla, em acordo firmado no ano passado quando o candidato à Presidência do Senado deu início às conversas para se eleger ao comando da Casa.

Em almoço patrocinado ontem pelo presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), a cúpula peemedebista tentou convencer Jucá a sair da disputa. O vice-presidente, Michel Temer, entrou em cena para evitar que o racha interno provoque rusgas na candidatura de Renan - que declarou seu voto em Eunício. A bancada do PMDB se reúne amanhã para anunciar o nome de Renan e bater o martelo sobre o nome do novo líder.

Na Câmara, o cenário é de uma bancada rachada em três. Todos os candidatos, Sandro Mabel (GO), Eduardo Cunha (RJ) e Osmar Terra (RS), dizem ter votos suficientes para levar a disputa a um segundo turno. A escolha do novo líder do partido na Casa está prevista para acontecer no próximo domingo (3).

Numa tentativa de tentar acalmar os ânimos internamente, os três devem se reunir na manhã de hoje tendo como uns dos itens da pauta um acordo de não agressão até o dia da eleição.

"Não acho que ganho no primeiro turno, mas serei o primeiro colocado", disse Cunha. "Estou no segundo turno. Estão tentando canibalizar os meus votos", disse Terra em referência aos boatos de que atuaria numa linha de oposição, em razão de ter votado em 2010 na candidatura de José Serra (PSDB) à presidência da República.

De sua parte, Mabel tem andado com uma lista com nomes de supostos apoiadores à sua campanha, no qual também diz ter a maioria dos votos.

Fonte: Folha