Polícia Federal indicia banqueiro Daniel Dantas e mais doze na Operação Satiagraha

De acordo com a PF, essas pessoas eram investigadas pela prática de lavagem de dinheiro

A Polícia Federal informou na tarde desta segunda-feira (27) que um total de 13 investigados pela Operação Satiagraha, deflagrada pela corporação no ano passado, foram indiciados sob a acusação de crimes financeiros. De acordo com a PF, essas pessoas eram investigadas pela prática de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, gestão fraudulenta, empréstimo vedado e formação de quadrilha.

O banqueiro Daniel Dantas, que tinha depoimento marcado na manhã desta segunda, está entre os indiciados. Ele compareceu à sede da PF para ser ouvido, mas ficou calado, sob orientação de seu advogado.

A PF informou que o relatório final da investigação deverá ser entregue até o final desta semana ao juiz da 6ª Vara Federal de São Paulo e que foi encerrado na última quinta-feira (23) inquérito que gerou indiciamento de 24 pessoas pelos crimes de evasão de divisas, operar instituição financeira sem autorização, falsidade ideológica, fraude na Administração de Sociedade Anônima e formação de quadrilha. Daniel Dantas já responde a ação penal por crime de corrupção ativa na 6ª Vara Federal Criminal da Justiça Federal de São Paulo.

De acordo com a PF, o ministro da Justiça, Tarso Genro, foi informado esta manhã sobre os indiciamentos e a conclusão das investigações.

Depoimento

O banqueiro ficou na sede da PF entre 7h55 e 8h25. Por orientação do advogado Andrei Schmidt, ele permaneceu calado durante todo o tempo destinado ao depoimento ao delegado Ricardo Saadi, que comanda o inquérito da Operação Satiagraha. Dantas deixou a sede da PF paulista sem falar com a imprensa.

Cinco diretores do banco Opportunity, comandado por Dantas, incluindo a irmã Veronica Dantas, também foram ouvidos e indiciados nesta segunda pela Polícia Federal.

De acordo com o advogado, "o próximo passo é aguardar o trabalho da Polícia Federal". Ele considerou o indiciamento como "mais uma arbitrariedade" cometida no curso da Operação Satiagraha. "Foi um interrogatório designado para que as pessoas sejam ouvidas todas em um dia. Foi uma intenção deliberada de que ninguém fosse ouvido, para o inquérito ser resolvido da forma mais breve possível. Esse indiciamento formal coroa mais essa arbitrariedade e nós não furtaremos a nos defender e a demonstrar a inocência de todos", afirmou.

Na terça-feira, depõem outras quatro pessoas, mas os nomes não são confirmados pela assessoria de imprensa da polícia.

Inquérito

A Polícia Federal deve concluir o inquérito até o final da semana que vem e enviá-lo ao procurador da República Rodrigo de Grandis. De Grandis acompanhou o depoimento de Dantas, mas afirmou que não estaria presente nas demais oitivas.

"Como o advogado dele (de Dantas) disse que seu cliente faria voto de silêncio, eu acompanhei o indiciamento feito pelo delegado e decidi que não acompanharei as outras oitivas", afirmou. "O indiciamento é importante porque é um indiciamento formal e evidencia a conduta delituosa da organização criminosa."

A expectativa é que, após receber o inquérito, o procurador ofereça a denúncia à 6ª Vara Criminal Federal.

CPI dos Grampos

Na última semana, o deputado Nelson Pellegrino (PT-BA) apresentou seu relatório na CPI dos Grampos mantendo de fora dos pedidos de indiciamento o banqueiro Daniel Dantas e o delegado da Polícia Federal Protógenes Queiroz, que presidiu a Operação Satiagraha. Diretores da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) também ficaram de fora do pedido de indiciamento.

Fonte: g1, www.g1.com.br