Presidente Barack Obama recebe Prêmio Nobel da Paz

Em seu discurso, citou logo de cara o fato de os EUA estarem envolvidos na guerra do Afeganistão

O presidente dos EUA, Barack Obama, recebeu nesta quinta-feira (10) o Prêmio Nobel da Paz de 2009 em uma cerimônia em Oslo, na Noruega, em um discurso humilde, mas duro, em que não se esquivou do tema da guerra e afirmou que às vezes os "instrumentos da guerra" são necessários para atingir a paz.

Obama começou sua fala citando alguns laureados anteriores com o prêmio, lembrando que não pode se ombrear em importância histórica com alguns deles, como o ex-presidente da África do Sul Nelson Mandela. Ele disse que, comparado com seus antecessores, seus feitos são "escassos" até agora.

Em seu discurso no auditório municipal de Oslo, Obama citou logo de cara o fato de os EUA estarem envolvidos na guerra do Afeganistão e justiificou o uso da força no conflito, que herdou do governo republicano de George W. Bush.

Obama inclusive criticou as regras da guerra no combate aos acusados de terrorismo, numa censura implícita ao governo Bush.

Segundo Obama, o conflito é necessário para "combater o mal no planeta" e garantir a segurança dos Estados Unidos, mas sem o sacrifício dos ideais norte-americanos.

O fato de Obama ter autorizado o envio de mais 30 mil soldados para o front afegão, em uma decisão que qualificou de "vital", foi alvo de críticas ao longo das últimas semanas e considerada contraditória com o recebimento do prêmio.

Custos da guerra

De acordo com o democrata, a guerra às vezes é necessária, apesar de que seus custos podem ser elevados. Ele afirmou que os instrumentos da guerra são exigidos para garantir a paz, principalmente quando há "razões humanitárias" em jogo.

Obama afirmou que "negociações" não vão forçar a rede terrorista da al-Qaeda e seus aliados a baixar as armas na região do Afeganistão e do Paquistão, foco da guerra ao terrorismo no seu governo.

O americano também disse que os EUA não podem "ignorar" a existência de países com arsenais nucleares no Oriente Médio e na Ásia.

Ele citou literalmente a Coreia do Norte e o Irã, dizendo que esses países não podem "quebrar as regras" do jogo internacional, como estão fazendo até agora nas negociações internacionais.

Obama defendeu sanções internacionais "adequadas" contra esses países, que enfrentam impasses com as potências internacionais na questão nuclear.

"Guerra santa"

Obama, mantendo outra tradição de seu mandato, também voltou a acenar pacificamente ao mundo islâmico, dizendo claramente que a guerra contra o extremismo não é uma guerra contra o Islã. "Nenhuma guerra santa pode ser um guerra justa", disse Obama.

Justificativa

Antes do discurso de Obama, no início da cerimônia, o presidente do Comitê Nobel, Thorbjoern Jagland, voltou a defender a decisão de premiar Obama, respondendo às frequentes críticas de que essa premiação teria sido "prematura".

No entender de Jagland, Obama conseguiu, na Casa Branca, "mudanças determinantes" em um "curto espaço de tempo".

Essa defesa da escolha já havia sido feito à época do anúncio da premiação, que de certa forma surpreendeu o mundo, pois Obama não era citado nas listas de favoritos ao prêmio.

Logo depois do discurso de Jagland, Obama recebeu a medalha do Nobel, o diploma e o cheque equivalente a US$ 1,41 milhão, que ele já anunciou que vai doar à caridade. Ele recebeu um aplauso de um minuto depois de receber as premiações.

Entrevista

Já na chegada à capital norueguesa, Obama disse em entrevista que havia "candidatos melhores que ele" a receber a premiação, mantendo o tom de humildade que adotou desde o anúncio da premiação.

A declaração de Obama foi feita ao lado do primeiro-ministro norueguês, Jens Stoltenberg, quando o americano assinou o livro de convidados do Instituto Nobel

"Não duvido de que havia outros que eram talvez mais merecedores", disse Obama. Stoltenberg retrucou dizendo que o prêmio foi "bem merecido".

"Não posso pensar em ninguém mais que tenha feito tanto pela paz durante o ano", disse.

O democrata também felicitou o comitê do prêmio por "dar voz aos que não têm e aos oprimidos do mundo".

Ele também ratificou o compromisso de começar a retirar as tropas do país asiático em julho de 2011. Segundo ele, trata-se de um compromisso "inequívoco".

Fonte: g1, www.g1.com.br