Presidente Vladimir Putin diz que uso da força é último recurso na Crimeia

Putin afirmou que o novo governo ucraniano chegou ao poder "pelas armas"

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, afirmou nesta terça-feira (4), em entrevista a jornalistas em Moscou, que o uso da força militar será o último recurso a ser usado na Ucrânia. Putin disse, no entanto, que seu país tem o direito de utilizá-la.

As manifestações começaram em novembro, depois que o então presidente Viktor Yanukovich anunciou sua decisão de não assinar um acordo de cooperação com a União Europeia.

Uma ex-república soviética, a Ucrânia está no meio de uma disputa de forças entre grupos que querem mais proximidade com a União Europeia e outros que têm mais afinidade com a Rússia.

Em fevereiro, Yanukovich foi deposto, um governo interino foi empossado e novas eleições foram convocadas.

As atenções agora se viraram para a Crimeia, região autônoma da Ucrânia de maioria alinhada à Rússia e que convocou um referendo sobre sua soberania.

Tropas russas já assumiram controle sobre a região, apesar dos protestos da comunidade internacional ,e há temores de que possam tentar avançar sobre outras partes da Ucrânia.

Putin afirmou que o novo governo ucraniano chegou ao poder "pelas armas", como resultado de um "golpe" inconstitucional.

Segundo o presidente russo, Viktor Yanukovich, destituído da presidência, "é o legítimo líder da Ucrânia". "Yanukovich é certamente impotente na Ucrânia, mas legalmente falando, ele é o presidente legítimo do país", disse Putin.

Vladimir Putin disse ainda que "o Parlamento ucraniano é parcialmente legítimo, mas que o atual presidente não é".

Em fevereiro, Yanukovich foi deposto, um governo interino foi empossado e novas eleições foram convocadas, depois que manifestações populares tomaram o país após o governo anunciar sua decisão de não assinar um acordo de cooperação com a União Europeia.

Putin destacou que o povo ucraniano teve motivos legítimos para protestar contra o poder de Yanukovich, considerando a corrupção e outras falhas de sua presidência. Mas ele opôs-se à maneira "ilegítima" como ocorreu sua saída, "por atentar contra a estabilidade política no país".

O presidente russo afirmou que o que acontece na Ucrânia pode ser a "substituição de um grupo de bandidos por outro", citando as nomeações de empresários que têm reputação questionável.

Putin falou ainda que a Rússia não reconheceria os resultados de eleições na Ucrânia que tenham sido realizadas sob as atuais condições de "terror".

Fonte: UOL