PT consegue vender 150 convites de jantar para pagar multas do mensalão

PT consegue vender 150 convites de jantar para pagar multas do mensalão

Multas somam R$ 1,8 milhão; convidado pode pagar de R$ 100 a R$ 1 mil. Ala jovem, que promoveu evento, não divulgou quanto arrecadou

A direção da Juventude do PT no Plano Piloto informou ter vendido cerca de 150 convites para o jantar de arrecadação promovido na noite desta quinta-feira (17) para ajudar os petistas condenados no mensalão a pagar as multas impostas pelo Supremo Tribunal Federal.

"A procura foi muito grande. Recebemos até pedidos de convites para pessoas de outros estados" , disse Pedro Henrichs, da direção da juventude do partido. O restaurante tem capacidade para 170 pessoas.

O jantar começou por volta das 20h30 numa galeteria de Brasília. Até o início do evento, pouco mais de 50 convidados ocupavam as mesas. Entre os convidados no inicio do jantar, nenhum parlamentar ou liderança do partido.

Cada convidado poderia pagar entre R$ 100 e R$ 1 mil. O partido vão divulgou quanto arrecadou com a venda dos convites, que começarem a ser vendidos há duas semanas. Pelo custo do jantar, a juventude estima gastar R$ 46 por pessoa, sem bebidas alcoólicas incluídas.

Os beneficiados pela vaquinha serão o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, o ex-presidente do PT José Genoino, o deputado federal Jõao Paulo Cunha e o ex-tesoureiro Delubio Soares. Juntas, as multas a que os quatro petistas firam condenados somam maus de R$ 1,8 milhão.

O dinheiro arrecadado na jantar será repassado ao PT Nacional, que ficará de entregá-lo aos companheiros condenados. Em novembro, o presidente nacional do PT, Rui Falcão, disse que o partido não iria arcar com o prejuízo.

O dirigente esclareceu que, por lei, a legenda não pode arrecadar fundos para ajudar seus membros. Mesmo assim, não iria censurar eventuais doações espontâneas de quisesse ajudar.

Protesto

Antes do começo do jantar, uma jovem fez um protesto solitário na frente do restaurante onde ocorre o evento dos petistas. A advogada Marilia Gabriela Ferreira de Farias, foi até o local com um cartaz em que dizia para que os petistas dividissem as penas de prisão com os condenados.

Ela tentou colar o cartaz na porta, mas ele foi retirado pelos organizadores do evento. "Moro aqui perto e Von fazer meu protesto contra este absurdo (...) . Quem ajuda bandido esta contribuindo para o crime", disse.

O advogado Marthius Lobato, que representou o ex-diretor do Banco do Brasil Henrique Pizzolato, também condenado no processo do mensalão, esteve no jantar, mas não pagou pelo convite. Disse que foi chamado por um dos organizadores.

"Eu vim a convite de um dos organizadores . Vim para prestigiar o evento, que demonstra uma preocupação que a sociedade está tendo com o resultado do julgamento", disse o advogado. Pizzolato foi condenado a 12 anos e 7 meses de prisão, além de multa de R$ 1,316 milhão.

Discursos

No decorrer do jantar, algumas lideranças petistas presentes usaram o microfone para defender a ajuda aos correligionários condenados. A deputada Erika Kakay (DF) , única parlamentar presente, fez um discurso afirmando que o partido vai conseguir reverter a condenação dos petistas.

"Essa condenação não corresponde à materialidade da ação penal. Estes recursos [da doação] são em nome da justiça, do estado democrático de direito. Estes recursos possivelmente não serão utilizados porque com certeza vamos reverter a decisão que condenou nossos companheiros. As injustiças não são permanentes", disse a deputada.

Quem também usou o microfone foi Cícero Rola, diretor da CUT-DF. Ele afirmou que o processo todo é um ataque outra o partido. "Esta coisa toda não é contra o Zé [Dirceu], contra o Delúbio. É contra o PT. Se eu tiver de comprometer 10% da minha renda familiar eu vou fazer. Somos solidários com nossos companheiros", disse.

Fonte: G1