PT e PMDB fazem operação de emergência contra efeito da "Dilmasia"

Segundo pré-candidata do PT, eleitor de Minas poderia votar nela e em Anastasia, do PSDB, assim como no passado houve o "Lulécio" - Lula e Aécio

As direções do PT e do PMDB organizaram nesta quinta-feira, 8, uma operação de emergência na tentativa de estancar a crise causada pelas declarações da pré-candidata petista à Presidência da República, Dilma Rousseff, que propôs uma dobradinha com o tucano Antonio Anastasia, governador de Minas Gerais e candidato à reeleição. Dilma disse que em Minas poderia haver o movimento "Dilmasia", uma composição com Anastasia, assim como no passado houve o "Lulécio" - Lula e Aécio.

Como a reação do ex-senador Hélio Costa às declarações de Dilma foram imediatas - na condição de candidato peemedebista ao governo de Minas ele ameaçou até apoiar Serra, com o movimento "Serrélio" -, o presidente do PMDB, Michel Temer (SP), saiu a campo para acalmar o companheiro de partido. "Não é hora de arrumar confusão. É preciso que todos se acalmem", disse Temer a Hélio, de acordo com um parlamentar do PMDB.

No PT ocorreu o mesmo. O presidente José Eduardo Dutra conversou com Michel Temer sobre a necessidade de evitar que a crise de Minas Gerais ganhe contornos maiores. Dilma foi aconselhada a telefonar para Hélio Costa e dizer que, no fundo, queria pregar a necessidade de formação de um palanque único, que una PT e PMDB. Dilma ligou então para o ex-ministro das Comunicações. Mas ele já tinha dado a declaração de que a candidatura da ex-ministra poderá "morrer pela boca" e que, se for o caso, vai para os braços de José Serra.

Nesta semana, Dilma envolveu-se em duas trapalhadas políticas. Numa, ao lado do ex-governador Anthony Garotinho (PR), que lhe declarou apoio, recomendou cuidado com os "lobos em pele de cordeiro"; em outra, propôs a dobradinha com Anastasia. Nos dois momentos estava só, sem a presença de seu criador e protetor, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Por isso, a cúpula do partido decidiu fazer advertências à candidata. Alguns dirigentes chegaram a dizer a Dilma que ela deve ter mais cuidado com as palavras porque tudo pode ser usado "de forma maldosa" pelos adversários. Houve críticas também à aglutinação dos nomes dos dois candidatos, pois "Dilmasia" poderia remeter a "azia", "dor de estômago" e outras "maldades".

Em público, porém, coordenadores da campanha de Dilma procuraram amenizar suas declarações sobre uma parceria do PT com o governador Antonio Anastasia. "A melhor forma de os partidos da base aliada em Minas não deixarem espaço para o crescimento de um movimento `Dilmasia" é a unidade para definir quem é o candidato único a governador e quem concorrerá ao Senado", afirmou o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha.

"Não existe vácuo na política. Enquanto só há candidato a governador do Aécio (Neves, ex-governador que deve concorrer ao Senado), os prefeitos vão ficar fazendo comitês do tipo "Dilmasia". Há prefeitos do PSDB e do DEM que vão apoiar Dilma por conta da boa relação com o governo federal", insistiu Padilha.

A afirmação do ministro teve endereço certo: em Minas, o PT e o PMDB até agora não conseguiram acertar a chapa para a sucessão de Aécio. Do lado petista, tanto o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel quanto o ex-ministro do Desenvolvimento Social Patrus Ananias querem disputar o Palácio da Liberdade. O problema é que o senador Hélio Costa (PMDB) também é candidato. E conta com o apoio de Lula. O presidente acha que o PT deve ceder a indicação a Costa para evitar problemas na montagem do palanque de Dilma.

"Em nenhum momento Dilma defendeu algo fora da política de alianças em Minas, pois todos sabem que somos parceiros do PMDB", apressou-se a dizer o deputado José Eduardo Cardozo (SP), secretário-geral do PT. "Foi uma brincadeira que ela fez sobre a sonoridade da expressão `Dilmasia" e alguns estão querendo extrair daí uma crise inexistente."

Integrante do núcleo da campanha de Dilma, Cardozo afirmou que "jamais" o PT cogitou a possibilidade de palanque único com o PSDB em Minas, o segundo maior colégio eleitoral do País. "Se ficarem com o fato, e não com a versão, já está tudo esclarecido", argumentou.

Os partidos de oposição criticaram Dilma por ter visitado o túmulo do ex-presidente Tancredo Neves, em São João del Rey, e dito que a administração do presidente Lula é uma continuidade da obra do mineiro que, doente, nem chegou a assumir a Presidência. Ele foi substituído pelo vice José Sarney. "Tancredo Neves não é propriedade de ninguém", disse o presidente do PT, José Eduardo Dutra. Na eleição de Tancredo, pelo Colégio Eleitoral - a eleição era indireta -, o PT proibiu que fosse dado voto no candidato da oposição. Os três deputados desobedientes - Airton Soares, Bete Mendes e José Eudes foram expulsos por isso.

Fonte: Estadão, www.estadao.com.br