Rede insiste em ter candidatura em SP, contra a vontade de Campos

Partidários de Marina rejeitam aliança com Alckmin e propõem chapa própria do PSB com Erundina e Feldman

A Rede Sustentabilidade, da ex-ministra Marina Silva, se insurgiu contra a aproximação do PSB com o PSDB em São Paulo e reforçou a tese de uma candidatura própria ao governo do Estado. A chapa seria formada pela deputada federal Luiza Erundina e teria como vice o deputado Walter Feldman, aliado de Marina.

O movimento dos "marineiros" ocorre no momento em que o presidente do PSB paulista, deputado Márcio França, recebeu sinal verde do presidente nacional da legenda, Eduardo Campos, para integrar a coligação do governador Geraldo Alckmin (PSDB), que disputará a reeleição no ano que vem.

"Acredito que até os jovens do Movimento Passe Livre votariam nessa chapa", diz o coordenador estadual da Rede em São Paulo, Célio Turino.

O tema foi debatido ontem na capital durante um encontro estadual da Rede que contou com a presença de Marina. A Rede, idealizada pela ex-ministra, abrigou-se no PSB ao ter rejeitado o registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em tempo hábil de disputar as eleições de 2014. Dirigentes "marineiros" garantem que Erundina foi sondada e sinalizou positivamente com a possibilidade de entrar na disputa.

Questionada sobre a dobradinha, Marina foi cautelosa. "Essa discussão ainda não foi feita com o PSB, mas dentro da Rede. O Walter Feldman se colocou como possibilidade em São Paulo."

Independente. Se a aliança com os tucanos for imposta, a Rede decidiu que não apoiará Alckmin e fará uma campanha independente, pedindo votos apenas para seus candidatos a deputado. "Achamos que temos amplas condições de ter uma candidatura própria. A chapa Erundina-Feldman seria bastante interessante. Existe um fastio em São Paulo com a polarização PSDB-PT", diz Pedro Ivo, da executiva nacional da Rede.

De passagem. No encontro de ontem, que reuniu 126 pessoas no salão de festas de um prédio no centro, Marina participou de debates em grupos e depois fez um discurso de 40 minutos em que fez questão de frisar que estava de passagem pela legenda de Campos. "Não sou militante orgânica do PSB. Minha filiação é temporária e transitória." Ao concluir sua fala, Marina usou um slogan de campanha do PT. "A esperança vai vencer o medo."

Também presente ao evento, o vereador Ricardo Young (PPS) afirmou que seu partido deve oficializar até o fim do ano o apoio à candidatura de Campos. Ele trabalha agora para que a sigla, que tem sido aliada tradicional do PSDB, se afaste de Alckmin no Estado e apoie uma eventual candidatura própria.

A primeira candidatura estadual da aliança PSB/Rede será a da senadora Lídice da Mata, que disputará o governo da Bahia tendo alguém da Rede como vice. O nome dela será oficializado em um grande ato em Salvador, com as presenças de Campos e Marina. A Rede também deve indicar o candidato a vice do PSB no Ceará e no Rio de Janeiro.

Fonte: Estadão, www.estadao.com.br