Senado abre processo que pode resultar na demissão do ex-diretor João Carlos Zoghbi

A abertura do processo decorre das investigações feitas por uma comissão de sindicância da Casa

Um ato do primeiro secretário do Senado, Heráclito Fortes (DEM-PI), publicado na sexta-feira (12) instaurou um processo administrativo disciplinar contra o ex-diretor de Recursos Humanos João Carlos Zoghbi. A abertura do processo suspende o pedido de aposentadoria feito pelo servidor e pode resultar na sua demissão.

Zoghbi é acusado de ter usado uma ex-babá como ?laranja? em uma empresa para receber comissões de convênios assinados pelo Senado. Ele receberia as comissões por autorizar a concessão de empréstimos consignados a funcionários acima do valor das parcelas permitidas pela legalização, de 30% do salário.

A abertura do processo decorre das investigações feitas por uma comissão de sindicância da Casa. Nela, servidores responsáveis por realizar o desconto em folha dos empréstimos confirmaram a ilegalidade.

O próprio advogado de Zoghbi, Antonio Carlos de Almeida Castro, conhecido como Kakay, admitiu a prática por seu cliente após depoimento deste na Polícia Legislativa.. Segundo o advogado, no entanto, ?o Senado inteiro sabia que isso era feito desta forma?. Kakay garante, no entanto, que não há vinculo de Zoghbi com a empresa registrada em nome da ex-babá, que seria, na realidade, de um filho seu.

Para instruir o processo, a comissão de servidores que investigará o colega poderá pedir a quebra de sigilos telefônico, fiscal e bancário do ex-diretor. Com o processo aberto, o pedido de aposentadoria de Zoghbi fica em suspenso e o ex-diretor, que é funcionário efetivo, pode ser demitido da Casa e perder o direito à aposentadoria.

Um outro ato publicado no mesmo boletim interno também trata do tema. Com base em um depoimento no âmbito do processo contra Zoghbi, Heráclito determinou a instauração de uma comissão de sindicância para investigar as supostas irregularidades que poderiam ter sido cometidas pelos servidores responsáveis pelo sistema de folha de pagamentos, chamado de Ergon. O sistema é considerado uma caixa-preta e sua abertura pela sindicância poderá trazer à tona outros problemas relativos ao funcionamento do Senado.

Fonte: g1, www.g1.com.br