Temer toma posse como presidente e terá mandato até 2018

Posse foi dada por Renan Calheiros, presidente do Senado

O plenário do Congresso Nacional empossou Michel Temer como presidente da República. Ele já estava no cargo interinamente desde o afastamento temporário de Dilma Rousseff por consequência da abertura do processo de impeachment dela, em maio deste ano. A faixa foi passada pelo  presidente do Congresso, Renan Calheiros (PMDB-AL). A cerimônia foi rápida, durou 12 minutos, e não houve discurso do presidente.

A solenidade ocorreu no plenário do Senado, que estava lotado de senadores, deputados, ex-parlamentares e convidados. Temer leu juramento em que se compromete a defender e respeitar a Constituição. Em seguida, foi lido o termo posse. 

A posse foi marcada logo após o plenário do Senado decidir pelo impedimento da ex-presidente e Temer ser notificado de que assumiria definitivamente a Presidência da República até 31 de dezembro de 2018, quando termina o mandato.

Michel Temer é jurista especializado em direito constitucional e atuou como parlamentar por cerca de 25 anos, entre mandatos assumidos como eleito e suplente. Foi presidente da Câmara dos Deputados por três vezes e foi eleito como vice-presidente junto com Dilma Rousseff em 2010 e depois reeleito em 2014.


Michel Temer no senado (Crédito: Estadão)
Michel Temer no senado (Crédito: Estadão)

Em sua primeira fala após assumir em definitivo a presidência, Michel Temer colocou a geração de empregos como primeira tarefa de seu mandato. Segundo ele, o momento é de "colocar o Brasil nos trilhos em todas as áreas". Temer cobrou dos ministros a criação de grupos para "desburocratizar" a ação das pastas. O novo presidente afirmou também que sua "fórmula de governar é da descentralização da ação, sem abrir mão da centralização da decisão". Temer, que não discursou no Congresso, falou em reunião ministerial no Planalto logo após a posse.

O presidente também pediu aos ministros que ajudem a aprovar projetos do ajuste fiscal. "A reforma do teto de gastos é fundamental para o país. Às vezes mal compreendida", disse. O presidente também pediu que  comunicação do governo faça uma publicidade da reforma da Previdência para que a população a entenda. Ele diz que irá reunir as bancadas dos partidos uma a uma para esclarecer dúvidas e sensibilizar para aprovar o teto dos gastos e a reforma da previdência.

Além disso, Temer pediu que os ministros façam reuniões de bancadas com seus partidos para falar sobre a importância das medidas do governo. "Não é um partido que está no poder e que despreza os demais. Ao contrário."

Elevando o tom contra os adversários políticos, Temer pediu aos ministros de seu governo reação às acusações de que sua gestão é "golpista". "Golpista é você, que está contra a Constituição", enfatizou, referindo-se aos opositores que o acusam de ter dado um golpe.

"Não vamos levar desaforo para casa. [...] Não podemos deixar uma palavra sem resposta", complementou.Em meio à fala, o presidente disse que, durante o período em que estava comandando o país como interino, não respondeu às acusações dos adversários, mantendo, segundo ele, uma "discrição absoluta". Agora, ressaltou Temer, não levará ofensa para casa.

"As coisas se definiram, e é preciso muita firmeza", afirmou aos integrantes do primeiro escalão.A reunião ministerial começou por volta das 17h30, aproximadamente 40 minutos depois de ele ser empossado no comando do Palácio do Planalto em uma solenidade rápida no plenário do Senado.

Temer durante reunião com ministros (Crédito: Reprodução)
Temer durante reunião com ministros (Crédito: Reprodução)


Viagem à China

Michel Temer também aproveitou a reunião ministerial para comentar a repercussão internacional do impeachment de Dilma. Ele disse aos seus auxiliares que, no plano internacional, "tentaram muito e conseguiram dizer" que houve golpe no Brasil.

"Isso aqui não é brincadeira", disparou.Ao final da reunião, no início da noite, Temer embarcou para a China, onde participará do encontro de cúpula dos países do G20, que reúne países com as maiores economias do mundo. Será a primeira viagem internacional do peemedebista como presidente.

No encontro ministerial, ele falou que a viagem à Ásia será o primeiro momento para anunciar a "novidade brasileira" aos outros países e começar a trazer investimentos estrangeiros para o Brasil.O peemedebista relatou que já está agendada para o dia 2 de setembro uma reunião bilateral com o presidente da China, Xi Jinping.

Ainda segundo Temer, ele foi convidado para reuniões com outros chefes de Estado durante sua estadia em território chinês.O novo presidente pediu que os ministros divulguem que ele irá para a Ásia "revelar aos olhos do mundo que temos estabilidade política e segurança jurídica.

Fonte: Com informações da Agência Brasil e uol