Vice-prefeito de Campinas nega ter recebido R$ 20 mil de empresa

O vice-prefeito Demétrio Vilagra recebeu voz de prisão ao desembarcar de um voo vindo da Europa

Em depoimento prestado na tarde desta sexta-feira ao Ministério Público, o vice-prefeito de Campinas, Demétrio Vilagra (PT), negou ter recebido R$ 20 mil dos empresários Alfredo e Augusto Antunes, donos da empresa Globo Serviços. De acordo com seu advogado, Raph Tórtima Stettinger, o político afirmou também que os R$ 60 mil apreendidos em sua casa na semana passada são resultantes da venda de bens de família.

Vilagra, que teve prisão temporária revogada e foi solto hoje, foi preso na quinta-feira ao desembarcar no aeroporto internacional de Cumbica. O político é acusado de participar de um esquema de fraudes e cobrança de propina em contratos públicos em Campinas e estava foragido desde a sexta-feira da semana passada. Segundo a defesa, ele estava em férias na Europa.

De acordo com Stettinger, a prisão de Vilagra foi desnecessária, já que ele tem endereço fixo e é de conhecimento público seu local de trabalho. "Ele jamais havia sido convocado para qualquer depoimento junto ao MP. Ele estava de férias e ao retornar poderia prestar qualquer esclarecimento", disse. "E o que havia de ser apurado já foi, inclusive análise de coisas que foram apreendidas. Não havia necessidade dessa prisão", afirmou o advogado.

Além de Vilagra, o TJ-SP pôs em liberdade o ex-diretor financeiro da Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento S/A (Sanasa) Marcelo de Figueiredo; o empresário Gabriel Ibrahin Gutierrez, da Gutierrez Empreendimentos e Participações Ltda, que havia sido preso na manhã desta sexta-feira ao retornar de uma viagem de Portugal; e o ex-diretor de Planejamento da Prefeitura Ricardo Candia.

Segundo o MP, Vilagra e outras 26 pessoas são citadas em gravações telefônicas autorizadas pela Justiça e confrontadas com documentos que demonstram um vínculo com tráfico de influência, corrupção e pagamento de propina. Os pedidos de prisão ocorreram para que os envolvidos não atrapalhassem as investigações. O MP pretende continuar apurando o caso e pode voltar a intimar os acusados. Dentre eles, está a primeira dama e chefe de gabinete Rosely Nassin Jorge Santos, que não prestou depoimento por estar amparada por um habeas corpus preventivo.

A investigação sobre corrupção na Sanasa culminou, na última sexta-feira, com a prisão preventiva ao menos 11 dentre 20 pessoas contra quem haviam sido expedidos mandados assinados pelo juiz da 3ª Vara Criminal Nelson Bernardes. Entre eles, vários membros do primeiro escalão da prefeitura de Campinas e empresários. Todos já estão em liberdade, mas cinco pessoas continuam foragidas, segundo o Jornal Nacional.

Fonte: Terra, www.terra.com.br