Vice presidente José de Alencar recebe alta e diz que não tem medo da morte

Alencar, de 77 anos, recebeu alta no início da tarde desta terça-feira

O vice-presidente, José Alencar, que teve alta nesta terça-feira (17), após 27 dias de internação, afirmou que passou por sua "cirurgia mais dura", mas disse que em nenhum momento temeu a morte.

"Não tenho medo da morte, porque não sei o que é a morte. A gente não sabe se a morte é melhor ou pior. Eu não quero viver nenhum dia que não possa ser objeto de orgulho", afirmou. ?Peço a Deus que não me dê nenhum tempo de vida a mais, a não ser que eu possa me orgulhar dele.?

Alencar, de 77 anos, recebeu alta no início da tarde desta terça-feira (17). Ele estava internado no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, onde recuperava-se de uma cirurgia para retirada de tumores na região do abdome.

O vice-presidente disse que esta foi uma das cirurgias mais difíceis da história médica do Brasil. No dia 25 de janeiro, ele passou por uma cirurgia para a retirada de tumores na região do abdome que durou quase 18 horas. Esta operação foi a mais radical intervenção cirúrgica à qual Alencar foi submetido na luta contra o câncer.

?Estamos muito animados, seguros de que passamos por um teste rigoroso, um dos mais duros da história da própria cirurgia. Durou 18 horas. Só e anestesia, fiquei mais de 20 horas. Depois disseram que ia me dar uma amnésia e eu pensei que poderia deixar de pagar minhas contas. Mas não me deu amnésia e eu vou ter que pagar as contas?, afirmou Alencar, que demonstrou bom humor em diversos momentos da entrevista.

O vice agradeceu aos médicos pela dedicação e às manifestações de solidariedade que recebeu de diversos cantos do país.

Privilégio

Alencar disse que foi um ?privilégio? o tratamento que recebeu. ?Às vezes fico com complexo de culpa porque sou vice-presidente da República e acho que todos os brasileiros deveriam ter este tratamento?, disse, emocionado.

Cadeira de rodas

José Alencar deixou o hospital de cadeira de rodas, mas conversou e respondeu perguntas e até brincou com os jornalistas. ?Nunca saí de hospital de cadeira de rodas e sempre depois de quatro dias de internação. (...) Eu posso andar, mas tenho que andar com mais destreza. Do jeito que estou andando, não sei se dá para ganhar uma eleição.?

Em outro momento, disse que ficou com saudades de casa. "Vou comer hoje depois de vinte e poucos dias arroz com feijão da minha casa que é mineiro legítimo. (...) Mas a verdade é de que o feijão é preto e o arroz é branco. Pode estar certo que estou com saudade desse arroz com feijão ainda que a comida daqui seja muito boa", brincou.

O vice-presidente afirmou que ficará em seu apartamento em São Paulo para se recuperar perto dos médicos. Ele disse também que iniciará trabalho de fisioterapia, mas não deu nenhum previsão de quando voltará ao trabalho.

Juros e PMDB

Dois dias após a cirurgia, em visita a Alencar, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ter certeza de que a hora em que acordasse a primeira que falaria ?é que é preciso reduzir a taxa de juros?. Questionado por jornalistas se falaria sobre o assunto, Alencar disse: ?Eu não falo mais de juros, porque vocês devem ter observado que nos últimos meses todo mundo está falando. Então, eu não preciso mais falar.?

O vice-presidente também foi questionado se sabia das acusações feitas pelo senador Jarbas Vasconcelos sobre corrupção no PMDB. ?Eu sou suspeito para falar do PMDB. O meu primeiro partido foi o PMDB. Por ele, disputei a primeira eleição e tenho grandes amigos. Durante a internação, falei com um grande peemedebista, o senador Pedro Simon. Mas nem tratamos deste assunto.?

Alencar disse que o fato de ele ter saído não foi por decepções com o partido.

A cirurgia

A cirurgia, considerada de alta complexidade pelos médicos, é a mais delicada realizada nos mais de dez anos em que José Alencar luta contra o câncer.

Durante o procedimento, foram retirados nove tumores. Para remover o maior deles, com 12 centímetros de diâmetro, foi preciso remover também parte dos intestinos grosso e delgado. Foi necessário ainda retirar dois terços do canal que liga o rim esquerdo à bexiga; os médicos usaram parte do intestino para reconstruir o canal.

Também foram removidos pelos menos outros oito tumores menores na região abdominal. No final da operação, os médicos também aplicaram uma injeção com uma solução de quimioterapia para que fossem eliminadas possíveis células cancerígenas.

Fonte: g1, www.g1.com.br