Zelaya pede mais pressão a líderes regionais por sua restituição

Do outro lado, Zelaya disse que só aceitará seu retorno à Presidência antes das eleições de 29 de novembro

 Representantes do governo interino de Honduras e do presidente deposto, Manuel Zelaya, retomarão nesta quarta-feira o diálogo interno por uma solução à crise política para discutir o mais importante --e difícil-- ponto de debate: a restituição de Zelaya.

O líder deposto disse nesta terça-feira que enviou cartas a presidentes do continente, entre eles o norte-americano Barack Obama, pedindo para que aumentem a pressão contra o governo interino. "Pedi em cartas particulares ao presidente Obama (...) falei com os presidentes da América, com as presidentes da América, sobre a necessidade de recrudescer ações se o regime seguir se negando a dar uma democracia verdadeira ao povo hondurenho", disse Zelaya em entrevista à agência Reuters.

As declarações de Zelaya foram feitas antes que os representantes dos dois lados anunciarem, também nesta terça-feira, o avanço em 90% o Acordo de San José, uma proposta do presidente costa-riquenho Oscar Arias que prevê, entre outras coisas, devolver o poder a Zelaya.

"Começamos a falar deste ponto [a volta de Zelaya] e amanhã (quarta-feira) vamos continuar negociando", disse a representante dos interinos Vilma Morales a jornalistas ao sair de uma reunião com representantes do líder deposto. "Esperamos terminar amanhã [quarta-feira] com muitas possibilidades de êxito no texto restante" do acordo, disse Víctor Meza, representante de Zelaya.

Mas ainda não está claro se a restituição será aceita pelo presidente interino Roberto Micheletti, que disse que Zelaya deve prestar contas na Justiça por violar a Constituição ao insistir em realizar a consulta popular, apesar de ela ter sido proibida por um juiz. Micheletti garantiu que está disposto a renunciar se Zelaya desistir de sua intenção de voltar à Presidência e que deseja virar a página depois das eleições de novembro, nas quais os competidores favoritos são Porfirio Lobo, do Partido Nacional, e Elvin Santos, do Partido Liberal, de Zelaya.

Do outro lado, Zelaya disse que só aceitará seu retorno à Presidência antes das eleições de 29 de novembro. "Eleições antes da restituição do presidente constitucional seria legitimar o golpe de Estado. Uma restituição depois da votação é algo que não aceitamos", afirmou Zelaya, que está refugiado na Embaixada do Brasil em Tegucigalpa há três semanas, desde que voltou secretamente a Honduras.

Segundo Zelaya, deposto por um golpe de estado em 28 de junho, apenas com a volta da ordem constitucional a Honduras poderá haver uma eleição "livre e transparente, reconhecida pela comunidade internacional".

Fonte: Folha Online, www.folha.com.br