Poluição faz com que aguapés voltem a invadir àguas do rio Poti em Teresina

Mais uma vez, o rio Poti está repleto de aguapés. A planta é sinal evidente de poluição e não deveria aparecer nesta época do ano

Mais uma vez, o rio Poti está repleto de aguapés. A planta é sinal evidente de poluição e não deveria aparecer nesta época do ano, visto que as chuvas aumentam a correnteza do rio e afastam o vegetal.


Entretanto, a presença de aguapés denota a sujeira causada por galerias e bocas de lobo que despejam lixo comum, dejetos hospitalares e insumos industriais nas margens de um rio fragilizado, que possui a fauna aquática severamente prejudicada pela sujeira. Ambientalistas pedem providências do poder público para retirar o lixo e esgoto que deságuam no Poti.

A ambientalista Tânia Martins alerta que a população deve fazer sua parte contra a poluição, mas a maior responsabilidade é do poder público, que deveria adotar medidas urgentes para conter a poluição.

“O rio Poti como um todo está passando por uma degradação incomum. Se demorar, perderemos o rio. E a tendência é que demore mesmo, pois o saneamento básico é caro e carece de investimento político.

Nunca a qualidade de vida da fauna e flora foi prioridade para quem está no poder. Precisamos de um planejamento e ações efetivas para este lixo que é jogado irresponsavelmente no rio. E urgente, pois o rio está precisando”, conta a ambientalista.

Segundo o estudioso Matheus Mendes, a sociedade civil precisa pressionar o governo, pois, para revitalizar o Poti, é necessário tirar todo o esgoto de dentro dele. “A questão não é a retirada dos aguapés, pois eles não mudarão o fato que o rio está poluído. O que precisa ser feito é a limpeza do flúmen, pois só assim a vegetação não voltará a aparecer”, frisa.

Os aguapés se alimentam dos dejetos e da poluição presente no rio Poti. Isso deixa menos oxigênio na água e, com essa situação, os peixes sobem para poder respirar, virando presas fáceis para as garças que se acumulam no local.

A retirada dos aguapés presentes no rio Poti é uma medida emergencial, porém, paliativa. Ou seja, não resolve o problema, apenas maquia o fato de que o rio está verdadeiramente poluído.

De acordo com o ambientalista Matheus Mendes, a limpeza apenas mascara o verdadeiro problema, que é a falta de saneamento na cidade. Atualmente existem 17 pontos de despejo de lixo no rio e nenhum projeto da Prefeitura para conter a poluição.

Segundo especialistas, a operação deveria ser feita bem antes do aumento de aguapés, que é benéfico para o rio, mas quando cobre a água, passa a ser prejudicial.

As operações de limpeza acabam sendo mais caras que o monitoramento da sujeira despejada no local, que aumenta a proliferação de microorganismos, altera a coloração da água, produz substâncias tóxicas e impede a entrada de luz solar.

 

Fonte: Olegário Borges